O que é o vidro?
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    Eva Marques

 

 

O conceito de “vidro” pode apresentar diferentes significados, uma vez que a palavra vidro pode ser utilizada para caracterizar o estado de uma substância (substância vítrea), ou um material funcional (por exemplo, uma vidraça), ou ainda um objecto (por exemplo, uma garrafa de vidro). Assim, é compreensível que se encontrem várias definições de "vidro", que parcialmente podem apresentar diferenças, umas em relação às outras.

Na natureza, os vidros vulcânicos, como a obsidiana, resultam de uma consolidação muito rápida do magma , apresentando-se a rocha com um brilho vítreo intenso.

  

Amostras de OBSIDIANA 

 

 

 

 

 

Que características permitem definir “o que é o vidro”?

1)    Será a natureza química dos materiais utilizados?

A sílica tem sido o componente mais utilizado na história da produção de vidro, dando origem ao que vulgarmente se designa por vidros inorgânicos silicatados. Durante muito tempo, os silicatos foram considerados, quase como os únicos materiais “bons produtores de vidro”. Surgiram várias teorias, baseadas em estudos sobre o comportamento dos silicatos[1] quando fundidos e sobre a estrutura atómica dos cristais silicatados, que justificavam a utilização destes materiais na produção de vidro.

No entanto, recentemente, reconhece-se a existência de um vasto número de vidros inorgânicos não-silicatados, pelo que o componente sílica não constitui uma condição necessária para a vitrificação. Por outro lado, actualmente, são também de uso corrente os vidros de natureza orgânica, como alguns vidros usados na cerâmica.

 

2)    Será a fusão dos materiais cristalinos que permitem a formação de vidro?

Os vidros, tradicionalmente, resultam de um arrefecimento rápido de materiais que foram fundidos. Contudo, com a evolução da ciências e das técnicas consegue-se, actualmente, obter vidros por outros processos, que não envolvem a fusão de materiais cristalinos.

 

Então, a que tipo de características podemos recorrer para dar uma definição de vidro?

 Qualquer que seja o tipo de vidro, estes manifestam características comuns, como:

I. apresentar uma estrutura amorfa ou vítrea, isto é, um estado de matéria que combina a estrutura ordenada dos materiais sólidos cristalinos, com a estrutura desordenada, característica dos líquidos –  estado vítreo. Os átomos no vidro, embora apresentem um arranjo desordenado, apresentam uma posição fixa


Estado gasoso

Estado líquido

Estado sólido

Estado vítreo
 

 

II.    apresentar  um comportamento particular durante o arrefecimento. Como se sabe, o vidro, resulta de um arrefecimento rápido de materiais que foram fundidos, tornando-se rígidos, sem, no entanto, adquirirem uma estrutura sólida cristalina.

Contudo, o processo inverso da fusão é a cristalização, que surge normalmente, por arrefecimento do líquido, à mesma temperatura que ocorre a fusão. Por exemplo, um material que funde a uma temperatura de 1500º C, cristaliza à mesma temperatura, quando se verifica o arrefecimento do material fundido.

Assim, para que ocorra vitrificação é necessário que o arrefecimento seja de tal forma rápido, que não dê tempo para haver uma reorganização da estrutura atómica dos materiais, requerida pela cristalização.

 

As mais recentes teorias sobre a vitrificação de materiais, defendem que qualquer material inorgânico, orgânico ou metálico, pode formar um vidro, desde que a técnica a que são sujeitos lhes permitam manifestar um comportamento de transformação vítrea. Assim, podemos definir o vidro como uma substância inorgânica, amorfa e fisicamente homogénea, obtida por resfriamento de uma massa em fusão que endurece pelo aumento contínuo de viscosidade até atingir a condição de rigidez, mas sem sofrer cristalização


 

[1] Silicatos – nome científico atribuído à classe de minerais compostos por silício e oxigénio, aos quais se ligam, nas mais variadas proporções, o alumínio, o sódio, o potássio, o cálcio, o magnésio e o ferro.

 

   

 Eva Marques

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