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recentemente e, por isso, o estudo das comunidades
dinossaurianas dessa altura ainda está numa fase inicial".
Lockley e Hunt 1995
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| Pegadas tridáctilas integrando pistas ocorrem também em pelo menos três outras pedreiras perto de Vale de Meios, Pé da Pedreira (Santos et al. 2000 referiram a existência de duas jazidas com pegadas nos arredores desta pequena localidade: Vale de Meios e Algar dos Potes). A sua localização exacta não é fornecida neste momento, por razões óbvias...(vejam-se as marcas deixadas sobe uma das pegadas pela maquinaria pesada que opera nessa pedreira!) | |
| Em 28 de Dezembro de 2001, depois de termos observado e fotografado alguns dos melhores exemplares de pegadas tridáctilas que resistiram à exploração da antiga pedreira de «Manuel João», no Algar dos Potes, quando tentámos saber a localização da pedreira com pegadas de Vale de Meios, ninguém nos soube responder. Assim, passámos “a pente fino” várias pedreiras da região. Numa delas encontrámos algumas pegadas tridáctilas isoladas, mal preservadas, em número escasso. | |
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| E o potencial para a ocorrência de outras pegadas, localizadas ou não nos mesmos níveis, é enorme; podemos mesmo prever que a descoberta de novas pegadas está apenas dependente de alguns dias ... | |
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Foi já na última pedreira que visitámos, sempre com autorização dos concessionários, que encontrámos uma enorme quantidade de pegadas, todas tridáctilas, muitas integrando pistas, aparentemente atribuíveis a teropodes. Como os três concessionários desta pedreira ("Tricalçada", de Carpinteiro & Irmão) nem suspeitavam da sua ocorrência (como foi confirmado por António Frazão, vigilante do PNSAC, em entrevista ao Jornal de Notícias de 7 de Abril de 2003, referindo que a descoberta ocorreu em 8 de Fevereiro de 1998 "quando não estava ninguém a trabalhar aqui"), contactámos por telefone e por escrito o PNSAC, relatando a “eventual descoberta” de uma enorme aglomeração de pegadas e pistas de dinossáurios. Ficámos também a saber, de acordo com os concessionários, que a exploração do calcário para pedra de calçada tinha parado no nível com pegadas porque “é pedra podre e ninguém a quer”, o que nos deixou relativamente «descansados» em relação à sua eventual destruição. Na altura, obtivemos também autorização dos concessionários para nos deslocarmos à pedreira, numa data posterior, para fotografar e medir algumas das pegadas. |
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| Os dados referentes a esta
jazida resultam apenas da observação realizada em 24 de Fevereiro de 2002,
quando limpámos e mapeámos apenas menos de 1/10 da superfície (a descoberto)
com pegadas, correspondendo a cerca de 480 m2. Apesar da zona com
pistas mais “espectaculares” e com mais densidade de pegadas por m2
se localizar na parte “intermédia” do nível, escolhemos iniciar a limpeza
e mapeamento a partir da parte superior, já que contávamos poder voltar à
pedreira posteriormente. De facto, nessa data dois dos concessionários
estiveram no local e deram-nos autorização para novas deslocações, “até
acabarem o vosso trabalho”. Também nos informaram que até essa data ninguém
do PNSAC os tinha contactado a propósito das pegadas. |
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| Quando em Março voltámos à pedreira para marcar a data de uma outra deslocação, este pedido foi
recusado por parte de dois dos concessionários (o terceiro não estava
presente). Segundo eles, “técnicos do PNSAC” tinham entretanto visitado a
pedreira e aconselharam-os a não nos deixar entrar. Também afirmaram que os
referidos “técnicos” tinham autorizado a continuação da exploração,
“como se não houvesse lá pegadas”. Acrescentaram que uma perfuração na
lage com pegadas feita no início de Março tinha permitido averiguar que “a
pedra debaixo é de boa qualidade” e que “em breve tencionamos começar a
parti-la”. De facto, a maquinaria estava lá e é muito provável que o tal «buraco»
tenha destruído uma ou mais pegadas. |
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Se os concessionários da
Tricalçada não tinham qualquer conhecimento de pegadas na “sua” pedreira e
se estas são tão abundantes, será que esta é a jazida de Vale de Meios que
Santos et al. (2000) referiram como o local onde “técnicos do PNSAC
identificaram pegadas de dinossáurio”? Ou tratar-se-á de uma nova jazida não
referenciada anteriormente? Ainda hoje (Fevereiro 2003) não temos resposta para
estas questões e por esta razão nunca referimos que esta jazida foi descoberta
por elementos do nosso Grupo. Mas, em várias comunicações, por telefone com técnicos
do PNSAC, e por escrito, dirigidas à Direcção do PNSAC, salientámos, através
de vários argumentos, a sua significativa importância científica, tendo em
conta, por exemplo, a enorme concentração de grandes pegadas de teropodes, provavelmente única a nível
mundial para o Jurássico médio e até para todo o tempo Mesozóico, que nunca
vimos referida anteriormente. |
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PARA SABER MAIS ... |
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PARA SABER MAIS ... |
| Foi
só na segunda semana de Abril de 2003 que obtivemos a confirmação de que a
jazida de Vale de Meios se localiza realmente no nível repleto de pegadas
situado na pedreira Tricalçada. As fotografias e imagens que vários órgãos de
comunicação difundiram, salientando que os responsáveis da Câmara de Santarém
e do PNSAC estão (finalmente) empenhados na preservação desta jazida,
permitiram confirmar que se trata do mesmo local onde “técnicos do PNSAC
identificaram”, em 1998, “pegadas de dinossáurio”. |
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Os responsáveis do PNSAC e da Câmara de Santarém referiram nas várias entrevistas a órgãos da comunicação social que a exploração de pedra de calçada irá continuar, contando com a colaboração dos proprietários no sentido da não danificação desta enorme amostra de pegadas e pistas de teropodes. Santos e Rodrigues (2003) são mais optimistas, quando afirmam que "as operações de extracção do calcário estão a terminar". A deslocação que realizámos em Fevereiro de 2003 à pedreira Tricalçada permitiu verificar que o nível calcário com pegadas não estava a ser destruído deliberadamente pelos concessionários; mas também permitiu observar que a pedreira continua em plena laboração, com a passagem de maquinaria pesada, ainda que com pneus de borracha, que certamente irá conduzir a uma danificação lenta, mas progressiva e constante, das pegadas, cuja importância científica, cultural e patrimonial deveria levar, na nossa opinião, ao embargo completo da exploração. |
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| Todos os dados e inferências referidos reportam-se (quase exclusivamente) aos icnitos encontrados em cerca de 1/10 da superfície da lage com pegadas da pedreira Tricalçada, Pé da Pedreira, correspondendo aproximadamente a 480 m2. Mas, com toda a probabilidade, ocorrerão nesta área mais pegadas, tal como surgem nos próprios acessos à pedreira e, com toda a certeza, sob o armazém e debaixo da actual escombreira. |
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Na
zona não mapeada deste nível encontra-se um elevado número de pistas - no mínimo
30 -, com extensão superior, regra geral, às da área mapeada. Assim, as inferências
e conclusões seguintes devem ser consideradas provisórias e terão de ser ou não
confirmadas através da análise das pegadas e pistas impressas na área
restante da jazida. |
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A
abundante amostra de pegadas inclui apenas exemplares tridáctilos, de dimensão
média a grande. Todas as pistas revelam a passagem de dinossáurios com
progressão bípede. Existe maior variabilidade de dimensões em relação à
amostra de Algar dos Potes, o que pode estar relacionado com o maior número de
pegadas presentes e com um grau de preservação mais díspar. Mas, regra geral,
a morfologia destes icnitos é semelhante à que ocorre na jazida de Algar dos
Potes. De facto, para a grande maioria das pegadas que ocorrem na área mapeada nesta jazida (cerca de
150) e em dois níveis da jazida de Algar dos Potes (cerca de 60), uma análise
estatística de alguns dos principais parâmetros métricos e angulares sugere
que não são aparentes agrupamentos morfológicos distintos, inferindo-se que
devem representar o icnotaxon Megalosauripus
(sensu
Lockley
et al.1996, 2000), atribuído a teropodes. |
| Mas,
pelo menos as pegadas que integram duas pistas (3, 9) e algumas pegadas isoladas
(4, 20, 22, 26, 130), bem como uma outra pista impressa na zona não mapeada,
parecem representar um morfotipo tridáctilo distinto, a que chamamos
“morfotipo B”. |
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Todas
as pegadas identificadas em Vale de Meios permitem inferir que os seus
produtores alcançavam dimensões médias a muito grandes. Para uma amostra de
157 pegadas analisadas, o comprimento varia entre 70 e 42 cm e a largura entre
80 e 30 cm. Uma única pegada (100) tem comprimento inferior a 40 cm: 37 cm. Mas a maior percentagem de pegadas (49%) tem um comprimento
variando entre 50 e 60 cm. As pegadas com comprimento inferior a 50 cm
representam cerca de 23% desta amostra. Algumas pegadas tem comprimento superior
a 70 cm, mas se excluirmos a provável impressão dos metatarsos, o seu
comprimento rondará os 70 cm. É o que acontece, por exemplo, com algumas das
pegadas que integram a pista 8, particularmente as correspondentes ao pé
direito do teropode, por vezes 10% mais longas do que as deixadas pelo seu pé
esquerdo. |
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| Até ao momento e tanto quanto sabemos, apenas uma única pegada atribuída ao icnogénero Megalosauripus foi descrita com um longa impressão metatarsal. |
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Pegada Megalosauripus do Membro Moab Tongue da Formação Entrada, encontrada numa jazida a norte de Arches National Monumento (Utah) (escala: 30 cm) (modificado de Lockley et al. 2003). |
| Mas, num desdobrável editado pelo Museu Nacional de História Natural com data de 1 / 2003 ("Jazidas com fósseis de Dinossáurios em estudo pelo MNHN") pode ler-se, em referência às jazidas de Algar dos Potes e Vale de Meios, que aí se encontram "centenas de pegadas tridáctilas de pequenos e grandes carnívoros". E Santos e Rodrigues (2003) referem que na jazida de Vale de Meios se encontram pegadas tridáctilas com dimensão "variando entre pequena a média". |
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Excluindo
as pegadas que inferimos representarem o “morfotipo B”, a razão comprimento
/ largura para uma amostra de 84 pegadas ronda 1,3. As impressões dos três dígitos
funcionais são robustas ao longo de toda a sua extensão, não se adelgaçando
na sua extremidade distal. De uma forma geral, os dígitos externos (II e IV)
estão dirigidos para a frente, implicando um ângulo de divergência total II -
IV baixo: 55º (N = 25). Mas com
maior variação, entre 76º e 40º, e com maior variabilidade entre o valor dos
ângulos II - III e III - IV, em relação à amostra de Algar dos Potes. Excluindo
as pegadas que sugerimos poderem ser incluídas no “morfotipo B”, a razão
entre os comprimentos das pegadas e do dígito III, quando este consegue ser
inferido, ronda 1,56 (N = 5). Tal como ocorre na amostra da jazida de Algar dos Potes, as impressões dos unguais terminais dos três dígitos funcionais são relativamente curtas. Em vários exemplares, a impressão da porção distal do dígito III apresenta uma ligeira curvatura sigmoidal para dentro em relação ao eixo longo das pegadas. |
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PARA SABER MAIS ... |
| O
estilo de locomoção dos teropodes que passaram nesta pedreira é primariamente
digitígrado. Excepcionalmente, encontramos raras pegadas em que poderá estar
impresso o dígito I. É possível que estes bípedes possam ter passado numa
altura em que as condições do substrato estavam mais fluídas; mas, a ocorrência
de impressão do hallux pode significar apenas que nessas zonas o substrato
estava mais encharcado. |
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PARA SABER MAIS ... |
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| Para
a área mapeada identificámos 18 segmentos de pistas, embora uma simples
observação visual tenha permitido concluir que em toda a superfície deste nível
devem estar impressas, pelo menos, cerca de 50
pistas de teropodes. |
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Pista 7 |
Pista 8 |
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Para
as pistas que não incluímos no “morfotipo B” (3 e 9), e apenas com uma
excepção, o ângulo de passo é superior a 145º. A pista 11, com ângulo de
passo médio de 136º, é a que mais se afasta do padrão narrow. Mas a variação
do valor do ângulo de passo é realmente elevada: .
quatro pistas (2, 5, 6 e 8) apresentam um valor médio entre 145 - 155º .
outras quatro pistas (7, 10A, 13 e 16) têm um valor médio entre 156 - 165º .
para uma (10) o valor médio do ângulo de passo é de 166º duas
pistas (14 e 17) têm um valor do ângulo de passo superior a 170º
(respectivamente, 172,5º e 177º) O
valor médio do ângulo de passo para esta amostra (N = 12)
é de 158,5º. |
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Pista 7. |
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Pista 6. |
| As
características apontadas para estas pegadas e pistas sugerem que, tal como
acontece com a amostra de Algar dos Potes, elas podem ser incluídas no icnogénero
Megalosauripus. |
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| Tendo
em conta a dificuldade de identificação de pistas em Algar dos Potes e perante
uma grande diversidade de pistas encontrada na pedreira de Vale de Meios, vale a
pena uma referência mais pormenorizada a estes trilhos. |
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