|
PARA SABER MAIS ... |
||
|
"Na última década, a ideia de dinossáurios não avianos
com penas passou da fantasia à pura realidade".
Norell e Xu 2005.
|
"Os anos de 1990 ficarão na história como um tempo em que um dos depósitos de fósseis mais significativo alguma vez descoberto foi trazido à luz do dia" (Witmer 2002). A Formação Yixian e unidades adjacentes do Grupo Jehol, da província de Liaoning (China), do Cretácico inferior, começou a revelar uma variedade e abundância de vertebrados fósseis surpreendentes e com grau de preservação excepcional - uma fauna completa em toda a sua variedade (Luo 1999), incluindo teropodes avianos, para além de uma flora invulgar - o Biota de Jehol. |
|
|
Mas, mais significativa, começaram a surgir, a partir de 1996, vários esqueletos de teropodes inequivocamente não avianos particularmente relevantes devido à preservação dos restos integumentares interpretados como filamentos semelhantes a proto-penas ou mesmo penas. |
|
|
|
Mapa geológico da província de Liaoning. Os dinossáurios com integumento de proto-penas e/ ou penas têm sido encontrados em várias Formações, que estão expostas numa série de bacias, que podem ser definidas pelas cidades de Kailu, Lingyuan, Shenyang e pela costa, a sul. Classicamente, são reconhecidas duas Formações: Formação Yixian, mais antiga, e Formação Jiufotang, mais recente. As datações radiométricas para o Biota de Jehol ainda são escassas (e algumas controversas). Mas a base da Formação Yixian será mais recente do que 139,4 M.ª e o topo da Formação Jiufotang foi datado em 110 M.ª. As rochas com fósseis Cretácicos estão assinaladas a azul e os mais significativos têm sido encontrados nas redondezas de Beipiao. Mas mesmo nestas Formações, as condições de preservação são variadas e não uniformes. As litologias que incluem estratos fluviais, brechas vulcânicas ou rochas sub-vulcânicas não preservam, em geral, partes moles. São as argilas finas que elas surgem, mas até aqui a preservação é esporádica. Na parte superior da Formação Jiufotang, as aves não são encontradas com impressões de penas, mas em alguns exemplares ficaram preservados baínhas de garras, bicos ceratinosos. Mas muitos dos teropodes não avianos e avianos das camadas inferiores de Jiufotang e, em especial, da Formação Yixian, mostram impressões de penas espectaculares (retirado de Wang e Zhou 2003). |
|
Muitos
investigadores (eventualmente, o pioneiro terá sido Peters, em 1985),
verificando a existência de significativas (e numerosas) semelhanças morfológicas
entre teropodes avançados não avianos e as aves, suspeitavam que as penas, a
característica que definia as aves modernas, teriam uma história bem mais
recuada filogeneticamente na árvore teropodiana que conduziu às aves. Mas como
os tecidos moles como as penas estão tão raramente preservados no registo fóssil,
muitos não acreditavam que encontrar penas integumentares em teropodes
incapazes de voar alguma vez pudesse vir a ser uma realidade ...
"Felizmente, estávamos enganados" (Norell e Xu 2005). No Congresso da SVP de 1996, realizado em New York, Chen Pei-ji surpreendeu todos os presentes quando mostrou fotografias do esqueleto de um pequeno teropode com uma densa cobertura de estruturas integumentares filamentosas rodeando o crânio, pescoço, dorso e cauda. Nesse ano, Ji e Ji publicaram uma diagnose do contramolde do fóssil de Chen, a que deram o nome de Sinosauropteryx prima (Ji e Ji 1996; Chen et al. 1998), e incluíram um tratamento pormenorizado sobre o significado destas estruturas relativamente à origem e função das primeiras penas (Unwin 1998).
|
|
|
|
Sinosauropteryx
prima
está já representado por cinco exemplares encontrados em duas jazidas:
Sihetun (nas camadas Jianshangou, com cerca de 125 M.a.) e Dawangzhangzi
(nas camadas do mesmo nome, com cerca de 122 M.a..)
da região ocidental de Liaoning e todos apresentam estruturas
integumentares filamentosas. Estas
estruturas seriam flexíveis quando os animais estavam vivos e estão
separadas do esqueleto quando tecidos intermédios teriam estado
presentes. O que significa que na cabeça
as estruturas parecem contactar a zona posterior do crânio,
enquanto que no tronco e cauda existem como um halo em torno do animal. Praticamente
todas estas estruturas apontam ligeiramente para trás. O seu comprimento
é variável (alcançando um pouco mais de 30 mm de comprimento) e
distalmente estão ramificadas (Currie e Chen 2001; Prum e Brush 2002). |
|
|
Estruturas integumentares preservadas em Sinosauropteryx encontyradas junto das vértebras caudais: filamentos agrupados (A) e incorporados em penas sem ráquis (B) (retirado de Zhang et al. 2006). |
| Se esta descoberta foi
espectacular, ela foi suplantada no ano seguinte pela "única sequência lógica:
teropodes não avianos com penas verdadeiras, ainda que primitivas" (Padian
et al. 2001). De facto, tanto Protoarcheopteryx
robusta como Caudipteryx
spp.
apresentam penas (rectrizes) com bárbulas mais ou menos simétricas e paralelas
nas caudas ainda alongadas (Ji et al. 1998). Protoarcheopteryx mostra ainda penas ao longo da pélvis, vértebras
caudais proximais, ilion e região peitoral.
Caudipteryx apresenta penas idênticas ao longo da cauda e na região
peitoral e os dedos mostram também rémiges distintas com impressões de
bárbulas,
barbas e ráquis. Ambos os taxa apresentam estruturas semelhantes a tufos,
aparentemente formados por vários filamentos interligados, talvez cimentados na
base, semelhantes a penas plumáceas. |
|
|
|
Apesar
das suas afinidades incertas, Protoarchaeopteryx
robusta é mais primitivo do que os avianos basais conhecidos
relativamente a muitas características osterológicas (por exemplo,
dentes serrilhados, membro anterior mais curto). |
||
|
Ji
et al.(1998) descreveram uma segunda espécie de teropode não aviano,
Caudipteryx zoui, com penas penáceas de aspecto moderno idênticas às
que se observam em Protoarchaeopteryx
robusta. Embora tenham colocado este taxon muito perto das aves
(Ji et al. 1998), rapidamente foi colocado dentro de Oviraptorosauria
(Currie et al. 1998; Sereno 1999; Witmer 2002). Em
particular, a descrição da segunda espécie deste género, Caudipteryx
dongi (Zhou e Wang 2000), e a descoberta de exemplares mais completos
e com melhor preservação (Zhou et al. 2000), forneceram evidências anatómicas adicionais sugerindo uma afinidade
oviraptorossauriana do género. Actualmente,
mais de 9 exemplares, todos preservando estruturas integumentares,
representam Caudipteryx. Caudipteryx
é um teropode interessante; praticamente não apresenta dentes e tem um
crânio curto. A maioria dos exemplares conhecidos revela a presença de gastrólitos. Como
temos múltiplos exemplares, o integumento que cobria este teropode não
aviano é já bem conhecido. Como Protoarchaeopteryx,
tem um grande plumagem de rectrizes, formada por penas que emanam de ambos
os lados da cauda. Ao contrário de Archaeopteryx,
as rectrizes de Cauditpteryx estão
restringidas às últimas cinco ou seis vértebras caudais. São simétricas
e estão imbricadas. |
|
|
|
|
|
|
Fotografia do exemplar holótipo de Caudipteryx zoui descrito por Ji et al. (1998) (A) e esquema do mesmo exemplar em vista lateral (B) (retirado de Dyke e Norell 2005). |
|
|
|
|
http://cas.bellarmine.edu/tietjen/Evolution/Fossil%20Record/a_therizinosauroid_dinosaur_with.htm |
|
|
Mas as descobertas de
teropodes com penas / proto-penas continuaram. Tanto Beipiaosaurus
inexpectus (Xu et al. 1999) como Sinornithosaurus
millenni (Xu et al. 1999b; Ji et al. 2001, se um outro teropode juvenil
pertencer a esta última espécie) apresentam estruturas integumentares
filamentosas semelhantes às que ocorrem em Sinosauropteryx. Beipiaosaurus
representa
o maior teropode não aviano encontrado / descrito em Liaoning (Xu et al. 1999),
com um comprimento corporal total estimado em 2,2 m. |
|
|
|
|
| Fotografia e esquema (retirado de Xu et al. 1999) do holótipo de SInornithosaurus millenii, que, ao contrário de muitos exemplares de Jehol, foi escavado e preparado por profissionais. | |
|
Sinornithosaurus
milleni
é o primeiro dromaeossaurídeo conhecido, um grupo de teropodes não
avianos que se sugere estar mais perto das aves, de Liaoning. Os
dromaeossaurídeos são extremamente semelhantes a aves e partilham
numerosas semelhanças derivadas com as aves basais, incluindo uma cintura
escapular que permitia que os braços relativamente longos se movessem de
forma muito idêntica à das aves. Embora o esqueleto esteja semi-desarticulado, as estruturas integumentares estão bem preservadas na periferia do esqueleto (Xu et al. 2001). Apesar de penas totalmente penáceas não estarem presentes no exemplar, ele preserva diversas morfologias integumentares. Estão presentes filamentos simples, estruturas compostas formadas por filamentos convergentes na base, e estruturas mais complexas formadas por um filamento central, com ramificações seriais ao longo de quase todo o seu comprimento, restringido à porção mais distal. Na zona distal da tíbia ocorrem também longos filamentos, robustos e paralelos. |
|
|
|
![]() |
|
|
|
|
|
Ji et al. (2001) descreveram um outro exemplar espectacular de um juvenil dromaeossaurídeo, considerando que poderá representar o género Sinornithosaurus ou um novo género. |
||
|
Ji
et al. (2001) descreveram um exemplar, encontrado em Linguyuan, que
referiram como muito semelhante a Sinornithosaurus,
que pode representar um indivíduo juvenil ou um novo taxon. Este
exemplar preserva estruturas integumentares em torno de todo o corpo,
mostrando morfologias similares com as descritas para o holótipo de Sinornithosaurus millenii. Este exemplar apresenta um conjunto
heterogéneo de estruturas integumentares, que podem corresponder aos três
primeiros estádios da evolução das penas descritos por Prum (1999).
Pequenos e únicos filamentos estão presentes na cabeça, enquanto que
vaporizações emanando de um ponto único cobrem os ombros e dorso.
Apesar de não estar extremamente bem preservada, a superfície posterior
dos membros anteriores apresenta impressões de estruturas integumentares
com uma configuração semelhante a uma espinha. Estas estruturas foram
interpretadas como penas de aspecto moderno (Ji et al. 2001). |
||
|
http://www.sciam.com/article.cfm?articleID=000A9E1A-454B-1C75-9B81809EC588EF21 |
http://www.nationalgeographic.com/events/99/feather/uvfossil.html |
| Em 1999, surgiu na Revista
National Geographic a descrição sumária de um novo "dino-ave",
a que foi dado o nome de Archæoraptor
liaoningensis, proveniente de Lianoning, um "verdadeiro «missing-link»
entre dinossáurios e aves". Acabou por se verificar que o referido
exemplar era afinal resultado de uma colagem de dois dinossáurios, uma
parte de um teropode aviano primitivo e a parte da cauda correspondendo a
um teropode não aviano, que Xu et al. (2000) identificaram como
correspondendo a Microraptor zhaoianus. A história deste
fóssil fraudulento pode ser encontrada em http://news.nationalgeographic.com/news/2001/04/0425_featherdino.html
ou em
http://www.sciencenews.org/articles/20000115/fob6.asp
.
Xu (2000) acabou por demonstrar conclusivamente que Archaeoraptor não passava de uma quimera, uma verdadeira falsificação. |
|
|
|
|
| Holótipo de Microraptor zhaoianus, "o primeiro teropode não aviano que é mais pequeno do que Archaeopteryx (retirado de Xu et al. 2000). | Fotografia e esquema do integumento preservado junto ao fémur. As setas assinalam "depressões medianas que provavelmente foram produzidas pelas ráquis". |
| Um teropode de reduzidas dimensões, Microraptor
zhaoianus, foi descrito por Xu et al. (2000). M.
zhaoianus
é também um dromaeossaurídeo basal (Xu et al. 2000) e representa os
teropodes não avianos mais pequenos conhecidos. O holótipo foi encontrado na Formação Jiufotangn (camadas Boluochi, com idade compreendida entre 120 e 110 M.a.), em Xiasanjiazi, Chaoyang. Provavelmente representa um sub-adulto e preserva estruturas integumentares sob o abdómen, em torno dos quadris e ao longo dos membros anteriores e dos posteriores. As estruturas integumentares associadas à tíbia e fémur apresentam a melhor preservação e têm um comprimento entre 2,5 e 3 cm. Estão perpendiculares aos ossos e Xu et al. (2000) indicaram que "algumas impressões do integumento contêm uma estrutura semelhante à de uma ráquis, sugerindo que verdadeiras penas podem ter estado presentes nos dromaeossaurídeos". Não apresenta penas na cauda ou nas mãos, mas sim a agora típica penugem. |
|
|
|
|
| Hwang et al. (2002)
descreveram novos exemplares de M.
zhaoianus.
|
|
|
|
|
| Em
2003, Xu e colegas descreveram uma nova espécie, Microraptor gui,
representada por 6 exemplares encontrados na Formação Juifotang (eventualmente,
este taxon poderá representar a mesma espécie que
Cryptovolans
pauli),
alguns dos quais provêm
da mesma jazida que Microraptor
zhaoianus (Norell et al. 2002). Os exemplares da nova espécie têm
dimensões maiores do que
o holótipo de M. zhaoianus e do
que outros exemplares de Microraptor
(Hwang et al. 2002).
|
|
|
Os
exemplares de Microraptor gui apresentam
penas plumáceas e
penáceas. As penas plumáceas estão distribuídas no topo do crânio,
dorso, abdómen e quadris. As penas penáceas estão associadas com a cabeça,
membros anteriores e posteriores e cauda. As longas penas penáceas
associadas com os membros e cauda são assimétricas, uma morfologia que
tem sido associada com adaptações para o voo. A sua associação tanto
com os membros anteriores como com os membros posteriores tornam este
teropode bastante fora do comum. É um animal que não se afasta de Tetrapteryx,
um hipotético intermédio entre os típicos répteis e Archaeopteryx,
proposto originalmente por Beebe (1915). |
|
|
|
|
|
|
http://hometown.aol.com/strigoivv/FeathersOfDinosaursII.html |
||
| Czerkas et al. (2002) descreveram um teropode dromaeossaurídeo, representado por dois esqueletos, também da Formação Jiufotang, a que deram o nome de Cryptovolans pauli. É muito provável que este novo teropode, com longas rémiges associadas aos membros anteriores (na fotografia) e posteriores, seja sinónimo de Microraptor gui. |
|
|
|
http://www.dinosaur-museum.org/featheredinosaurs/Are_Birds_Really_Dinosaurs.pdf |
||
Logo depois de Microraptor zhaoianus ter sido descrito, Norell et al. (2002) relataram a presença de penas penáceas bem preservadas ao longo da cauda, asas e membros de um exemplar de um dromaeossaurídeo basal da Formação Jiufotang. Penas plumáceas também estão presentes associadas com o corpo e ombros deste exemplar. Em ambos os membros, anteriores e posteriores, estão presentes longas penas penáceas com ráquis organizadas. A cauda termina por um feixe de penas extremamente alongadas. Surpreende que as penas penáceas do membro posterior se prolonguem para o tarsus e que sejam tão longas como as penas do membro anterior. A este dromaeossaurídeo não foi atribuído nome formal. |
|
Numerosos
exemplares semelhantes a Microraptor
tem sido encontrados nos últimos tempos em várias jazidas da Formação
Jiufotang, em Chaoyang e Yixian. Os exemplares de Yixian apresentam
geralmente estruturas integumentares com preservação deficiente. |
|
http://fm1.fieldmuseum.org/aa/Files/pmakovicky/Xu_et_al_2002a.pdf |
|
Crânio do holótipo de Sinovenator changii (retirado de Xu et a. 2002). |
|
| Xu et al. (2002) descreveram outro taxon, Sinovenator changii , que, durante algum tempo, foi referido como revelando também impressões de proto-penas. O material esquelético foi encontrado na parte inferior da formação Yixian e acabou por se revelar como um teropode troodontídeo, "o mais primitivo descoberto até hoje" e o mais antigo. Na sua descrição, Xu e colegas salientaram que não estão preservadas estruturas integumentares, como acontece geralmente com os teropodes provenientes destes depósitos fluviais mais antigos. | |
|
|
|
| Czerkas e
Yuan (2002) descreveram também um novo teropode, Scansoriopteryx heilmanni
, com impressões de penas na extremidade da cauda, a partir de um
esqueleto de idade incerta (eventualmente Jurássico final) que
deve representar um juvenil. Praticamente ao mesmo tempo (mesma semana do
mesmo mês), Zhang et al. (2002) descreveram também um teropode muito
semelhante, com um integumento semelhante a proto-penas em torno do corpo,
a que deram o nome de Epidendrosaurus ningchengensis. Este último
taxon, representado também por um único exemplar, provem de Ningcheng,
Nei Mongol e será contemporâneo de Scansoriopteryx. Ambos
os taxa poderão ser sinónimos, estando em discussão quem terá
prioridade. http://dml.cmnh.org/2002Sep/msg00673.html. O grupo a que se tem chamado Scansoriopterygidae provem das argilas de Daohugou, que alguns investigadores sugeriram ter uma idade compreendida entre o Jurássico médio e o Jurássico final. Mas, apesar desta Formação estar subjacente à Formação Yixian, ela encontra-se sobre a Formação Tuchengzi. E alguns estudos recentes indicam para a parte superior desta última Formação uma idade («radiométrica») situada muito perto do limite Berriasiano - Valangiano, implicando que as camadas Daohugou se tenham depositado já durante o Cretácico inferior (entre o Valangiano e o Barremiano). Segundo Gao e Ren (2006), que se baseram em parte nos trabalhos anteriores de Liu e Jin (2002) e de Ren et al. (2002), as argilas vulcânicas fossilíferas de Daohugou (Formação Haifanggou ou Jiulongshan) sugerem uma idade correspondendo ao Jurássico médio (Batoniano). |
|
|
http://www.dinosaur-museum.org/featheredinosaurs/Are_Birds_Really_Dinosaurs.pdf |
|
|
Mão de Scansoriopteryx heilmanni. |
|
|
http://www.freewebs.com/skeletalreconstructions1/epidendrosaurus.htm |
|
|
|
|
|
|
|
|
Material holótipo de |
|
|
PARA SABER MAIS ... |
Nos inícios de 2002, circulou entre a comunidade paleontológica a notícia da descoberta de um novo teropode com penas, proveniente da Formação Jiufotang, Yixian. A descrição formal deste novo taxon foi feita por Ji et al. (2002), em Chinês, e confirmou que se trata de um teropode aviano basal, a quem foi dado o nome de Shenzouraptor sinensis, que representará "uma fase transitória entre Dinosauria e Aves". |
|
|
|
|
| Xu e Wang
(2003) descreveram um novo teropode maniraptorano da Formação Yixian,
também com estruturas integumentares preservadas - Yixianosaurus
longimanus. http://dml.cmnh.org/2003Aug/msg00176.html
Yixianosaurus
longimanus
foi descrito por Xu e Wang (2003) com base num exemplar parcial pós-cranial,
formado em grande parte por apenas membros anteriores e cintura escapular.
É um animal extremamente interessante, com penúltimas falanges da mão
extremamente alongadas. Foi mesmo sugerido que teria hábitos arbóreos. |
|
|
Dilong
paradoxus
foi descrito por Xu e Norell (2004) com base em dois exemplares
diferentes. O exemplar holótipo está preservado a três dimensões e
provem da parte inferior da Formação Yixian, de sedimentos fluviais que
não preservam tecidos moles. Um segundo exemplar referível a Dilong
foi encontrado em argilas mais lacustres e preserva material integumentar.
Este exemplar está muito incompleto e as estruturas estão primariamente
associadas com a cauda. Outro pequeno agregado está adjacente à parte
posterior da maxila inferior. As estruturas rodeando a cauda têm
aproximadamente 2 cm de comprimento e prolongam-se posteriormente fazendo
um ângulo de 40º. Parecem ser formadas por uma série de filamentos
ligados na base ao longo de um filamento central, como em Sinornithosaurus.
Estas estruturas foram interpretadas por Xu e Norell (2004) como
proto-penas. Dilong seria um tyrannossauroide de dimensões modestas, com cerca de 2 m de comprimento total. Para além das dimensões reduzidas, apresenta várias condições primitivas, como uma mão com três dígitos funcionais e membros anteriores relativamente alongados. |
|
| Estruturas
integumentares observadas num dos exemplares do tyrannossauroide basal Dilong paradoxus:
estruturas
integumentares filamentosas que ocorrem ao longo da margem dorsal de vértebras
caudais distais (fotografia - a; esquema - b); e estruturas integumentares
mostrando um padrão simples de ramificação (fotografia - c; esquema - d) (segundo Xu
e
Norell 2004). |
|
PARA SABER MAIS ... |
"Novos taxa (teropodes não avianos com penas) surgem e são
descobertos tão rapidamente que é muito provável que
esta
lista esteja incompleta antes de ser publicada".
Xu e Zhang (2005) descreveram um teropode Eumaniraptora basal, Pedopenna daohugouensis, em que se observam longas impressões de penas localizadas nos metatarsos. Este exemplar foi descoberto, não em Liaoning, mas em Nei Mongol, em depósitos cuja idade não está bem estabelecida, mas que poderão ter uma idade correspondendo ao Jurássico final. |
|
|
O teropode Pedopenna (A) e os seus filamentos semelhantes a penas, aumentados a partir da zona englobada pelo rectângulo (B). Segundo Zhang et al. (2006), de onde é retirada a fotografia, estes filamentos semelhantes a barbas apresentam uma disposição ordenada e paralela; e estão ainda incorporados em penas com ráquis. |
|
|
|
| Ji et al. (2005) descreveram um novo exemplar de Yixan como uma ave primitiva, Jinfengopteryx elegans, em que se observam também impressões de penas, proveniente da Formação Qiaotau, Hebei. De acordo com estes investigadores, este taxon seria mesma mais primitivo que Archaeopteryx. Mas várias características sugerem que este taxon poderá representar um teropode troodontídeo primitivo e não um teropode aviano. Se esta hipótese se confirmar, então Jinfengopteryx será o primeiro troodontídeo encontrado preservado com estas estruturas integumentares. http://dml.cmnh.org/2005Mar/msg00372.html e http://students.washington.edu/eoraptor/Troodontidae.htm |
|
|
E à medida que estes
taxa iam sendo descritos, outra surpresa. As penas e/ ou proto-penas surgiam
associadas não a um único clade de coelurossaurios, mas a sim a várias
linhagens distintas deste grupo: . Chen et al. (1998), com base em exemplares adicionais,
referiram Sinosauropteryx a Compsognathidae, coelurossaurios
relativamente basais. . Protoarchaeopteryx foi originalmente encarado por Ji e Ji (1997)
como o grupo irmão de Archaeopteryx,
mas Ji et al. (1998) classificaram-no como em coelurossaurio eumaniraptoriano,
numa tricotomia com Velociraptorinae e todos os taxa mais perto das aves do que
os dois primeiros géneros. Holtz (2001) considera que a posição deste taxon
é variável, mas surge sempre "fora do clade oviraptorossaurio -therizinossauroide
- dromaeossaurídeo - aves". "Mas é certo que Protoarchaeopteryx
está muito perto da transição para as aves" (Witmer 2002). . Caudipteryx é incluído em Oviraptorosauria (Zhou e Wang 2000;
Zhou et al. 2000; Witmer 2002) e Sereno (1999a) sugere mesmo que
representa um oviraptorossaurio basal, partilhando mesmo uma dúzia de características
com os oviraptoroides. . Beipiaosaurus é um teropode therizinossauroide (Xu et al. 1999a). . Sinornithosaurus pertence à linhagem dromaeossaurídea (e um
exemplar juvenil representa também um Dromaeosauridae, que Ji et al. (2001) e
Norell (2001) sugeriram ser muito semelhante a Sinornithosaurus e provavelmente representar a mesma espécie). . Microraptor é também um dromaeossaurídeo (Xiu et al. 2000). A
reduzida dimensão e provável arborialidade deste teropode podem ser
importantes para o debate sobre os hábitos da origem dos antepassados das
aves. . Sinovenator representa um troodontídeo (Xu et al. 2002). O exemplar
provem de um nível abaixo do "nível com teropodes com penas" da
Formação Yixian e é considerado como o mais basal dos troodontídeos
conhecidos. . Dilong representa um tyrannossauroide basal (Xu e Norell 2004). . Pedopenna (Xu e Zhang 2005) será um teropode Eumaniraptora basal. |
|
|
http://ns.dinosaur.pref.fukui.jp/archive/memoir/memoir002-123.pdf |
|
|
|
| Posição filogenética de Alvarezsauridae, segundo Sereno (1999, 2001). | |
|
|
Schweitzer et al. (1999) analisaram bioquimicamente as estruturas
fibrosas integumentares encontradas na região da cabeça do alvarezsaurídeo Shuvuuia, da Mongólia, sugerindo que elas são formadas
por beta queratina, uma proteína encontrada nas penas e escamas dos
sauropsoides. Verificaram também que estas estruturas estão aparentemente
ocas. Actualmente, as únicas estruturas conhecidas que simultaneamente são
ocas e formadas por beta queratina são as penas das aves. A posição filogenética
do clade Alvarezsauridae tem sido
das mais controversas, com alguns investigadores a considerarem esta linhagem
como teropode não aviana (como um Ornithomimosauria e grupo irmão de
Ornithomimidae, fora de Maniraptora Sereno 1999; 2001; ou como Maniraptora
basais Clark et al. 2001; 2002, Novas e Pol 2002); outros a posicionarem
Alvarezsauridae dentro das aves (melhor, como Metornithes basais)) (Chiappe et
al. 1996; 1999) e outros a sugerirem que a linhagem representa o grupo irmão
para Archaeopteryx e aves mais derivadas (Chiappe 2002) ou como grupo irmão
para as aves Ornithothoraces (Forster et al. 1998). "Estas descobertas são
mais provocadoras do que conclusivas, dada a posição filogenética controversa
dos alvarezsaurídeos. Mas podem ser uma evidência legítima para penas ou
estruturas semelhantes a penas fora de Aves" (Witmer 2002). |
| Hipótese filogenética para Alvarezsauridae, segundo Chiappe (2002). | |
|
|
|
| Posição filogenética de Alvarezsauridae, segundo Clark et al. (2002). |
|
PARA SABER MAIS ... |
|
Em Sinornithosaurus millenii os filamentos não estão nas suas posições
naturais e, por exemplo, o conjunto de filamentos adjacente ao crânio não pode
ser atribuído com segurança à região da cabeça. Mas uma descoberta
importante é negativa - este dromaeossaurídeo não apresenta penas nas mãos e
na cauda e não se observam penas «verdadeiras» (com ráquis e barbas) como as
que surgem em Caudipteryx. A análise
filogenética de Sereno (1999a) previa que, no mínimo, deveriam ser
encontradas penas nas mãos e nas caudas dos dromaeossaurídeos. Para além das
estruturas integumentares não estarem na posição de vida, Xu et al. (2001b)
sugeriram que os filamentos de Sinornithosaurus
estão mais estruturados do que os de Sinosauropteryx
e Beipiaosaurus, e, consequentemente,
estariam mais perto das penas modernas: alguns dos filamentos apresentam
ramificações e ocorrem até tufos, representando uma cobertura integumentar
mais complexa. O dromaeossaurídeo juvenil (Ji et al. 2001; Norell (2001)
apresenta fibras ramificando-se de um filamento axial central - uma estrutura
que pode ser interpretada como ráquis e barbas de uma «verdadeira» pena. Ji et al. (2001), verificando que as estruturas estão muito
ordenadas, sugeriram mesmo que quase de certeza deveriam estar presentes bárbulas.
No dromaeossaurídeo Microraptor, também
com penas nas mãos e cauda, algumas das impressões integumentares apresentam
uma estrutura semelhante a ráquis, sugerindo que penas «verdadeiras» também
podem ter estado presentes. |
|
| Penas da cauda de Caudipteryx. | |
|
|
|
Fibras de Sinosauropteryx ao longo do dorso. |
Pena longa do dromaeossaurídeo juvenil (?Sinornithosaurus). |
|
|
|
| Penas do juvenil dromaeossaurídeo. http://research.amnh.org/vertpaleo/dinobird.html | |
|
As estruturas
semelhantes a penas e as penas encontradas nos coelurossaurios não avianos de
Liaoning ocorrem em 4 tipos (Clark et al. 2002): . simples estruturas
filamentosas (como em Sinosauropteryx,
Beipiaosaurus) . filamentos simples
ligados num tufo basal (como em Sinornithosaurus) . filamentos ligados nas
bases em séries ao longo de um filamento central (como em Sinornithosaurus) . verdadeiras penas, com
ráquis central e barbas (como em
Caudipteryx, Protoarchaeopteryx,
? Microraptor) |
|
Penas de Protoarchaeopteryx. |
|
|
|
|
| Penas penáceas do membro anterior de um dromaeossaurídeo, ainda sem nome formal. Ráquis e barbas são nitidamente visíveis. A presença de barbas bem organizadas implica a ocorrência de bárbulas. | Pena plumácea de Protoarchaeopteryx (retirado de Norell e Xu 2005). |
|
Mas será que a
cobertura de filamentos finos e densos, sem ráquis central nem estruturas
secundárias como bárbulas, encontrada por exemplo em Sinosauropteryx,
terá realmente algo a ver "proto-penas"?
"Embora as «verdadeiras» penas tenham tido seguramente precursores
epidérmicos que não possuíam atributos
definitivos como ráquis e barbas , como é que as podemos reconhecer?"
(Witmer 2002). Análises químicas mostrando proteínas exclusivas poderão
fornecer uma evidência válida, mas ainda não foram realizadas. Mas, segundo
Prum (1999, 2000), o modelo desenvolvimental da evolução das penas sugere que
num estádio inicial elas seriam consistentes com os filamentos observados em Sinosauropteryx. Padian et al. (2001) apresentaram vários argumentos para
sugerirem que os filamentos de Sinosauropteryx
tem suficientes atributos morfológicos em comum com as penas (passando portanto
nos testes da semelhança da homologia e da congruência da homologia com as
penas avianas): "Assim, a favor da
homologia destas estruturas filamentosas com penas, temos os seguintes factos . elas surgem no mesmo
local das penas . têm pelo menos
algumas características das penas . serviam, pelo menos,
algumas funções das penas . encaixam-se numa
expectativa geral de como é que uma estrutura simples precursora de uma pena
complexa deveria ter sido". |
|
| Filamentos que cobrem o dorso do pescoço de Sinosauropteryx. |
|
|
|
|
Penas de Sinornithosaurus. http://hometown.aol.com/strigoivv/ |
|
|
|
|
|
Penas de Caudipteryx. http://hometown.aol.com/strigoivv/ |
Penas do dromaeossaurídeo juvenil. http://research.amnh.org/vertpaleo/dinobird.html |
|
|
|
| Penas de Microraptor. http://hometown.aol.com/strigoivv/FeathersOfDinosaursIII.html | |
| Por outro lado, devemos
ter em conta que Sinosauropteryx seria
um membro basal de Coelurosauria, distante do antepassado linear das aves. Logo,
é mais provável que as características integumentares não fossem
antecedentes estritos das penas das aves. E estas estruturas integumentares
rudimentares partilham algumas características com as penas primitivas
observadas em Protoarchaeopteryx e Caudipteryx. Estas últimas, por sua vez, partilham algumas
características com as penas de Archaeopteryx
(que continua a ser considerada a ave mais primitiva conhecida) e de outras
aves. Assim, a dimensão, estrutura e até funções destas estruturas
integumentares variam entre as linhagens em que são encontradas. |
|
|
|
Holótipo de Sinornithosaurus milenii (retirado de SLoan 2000). |
|
PARA SABER MAIS ... |
|
“Até
à data, mais de 12 espécies de teropodes não avianos foram encontrados nos
depósitos lacustres da zona ocidental de Liaoning. Destes, 10 preservam impressões
de proto-penas / penas. A maioria foi objecto apenas de descrições
preliminares - análises anatómicas mais completas são necessárias e serão
bem-vindas” (Norell e Xu 2005). |
|
|
|
|
|||||||
| Distribuição dos tipos
conhecidos de estruturas integumentares (escamas e penas / proto-penas
(simplificando, consideram-se apenas 2 tipos) em grupos de dinossáurios
teropodes, incluindo dinossáurios avianos, num cladograma "de
consenso" (modificado de Padian et al. 2001 e de Holtz 2001). |
|||||||
|
Assumindo que terá
ocorrido uma origem única para um estrutura tão complexa como são as penas
actuais, então o
Enquadramento Filogenético Vivo permite inferir que todos
os dinossáurios que descendem do mais recente antepassado comum de Sinosauropteryx
e aves teriam também esta especialização (a não ser que, através da evolução,
a tivessem subsequentemente perdido). Por
outras palavras - se o mais recente antepassado de todos os coelurossaurios
tinha uma penugem cobrindo o corpo e se este tipo de cobertura é encontrado
também em clades "intermédios" e nas aves, os tyrannossauroides e
ornitomimossaurios (para este último clade
não se conhecem taxa com pele preservada,
ainda!) são descendentes de animais com proto-penas e teriam também uma
cobertura semelhante. Daqui deriva a previsão de que os membros dos clades
Tyrannosauroidea e Ornithomimosauria teriam também uma cobertura integumentar
semelhante.
Coelurosauria pode assim ser caracterizado pela presença de uma cobertura integumentar formada por proto-penas e, pelo menos, Maniraptora por uma cobertura formada por penas com um eixo central. As penas passam a ser consideradas como simplesiomorfias das aves, mas não como sinapomorfias (por outras palavras, «o hábito não faz o monge»). As penas estão entre as
estruturas integumentares mais complexas encontradas nos vertebrados.
Primariamente são compostas por queratina, que consiste em filamentos microscópicos
insolúveis, embebidos numa matriz proteinácea. A queratina é um material com
longa duração (Gill 1990). A composição dos aminoácidos da queratina das
penas, a sua forma e comportamento, diferem notavelmente das das queratinas
encontradas em outros tecidos rijos epidérmicos como garras, pelo e escamas (Brush
1996). Assim as penas são normalmente encaradas como uma novidade evolucionária
que terá surgido apenas uma vez.
A possibilidade dos tyrannossaurídeos mais avançados, como Tyrannosaurus rex, também terem possuído um integumento formado por filamentos semelhantes a proto-penas é real, mesmo que esta cobertura se restringisse aos primeiros tempos de vida. http://www.dinosauriaong.hpg.ig.com.br/gpal/tm/MotherJuvenileRex.jpg. |
|||||||
| E não será que o registo icnológico terá qualquer a acrescentar a este respeito? |
| Na
realidade, num exemplar identificado como representando um teropode
ceratossaurídeo que se teria agachado, do Jurássico inferior de
Connecticut Valley, e incluído no icnotaxon Anchisauripus, foram
reconhecidas impressões semelhantes a pelos / proto-penas,
"provavelmente semelhantes às plumagens das aves não voadoras"
(Gierlinski 1996). Mas esta interpretação tem sido posta em causa por
vários investigadores (Lockley et al. 2003; Martin e Rainforth 2004),
embora outros tenham encontrado argumentos para a sustentar (Kundra 2004;
Sabath e Gierlinski 2005).
Um ceratossaurídeo Dilophosaurus com um integumento de filamentos, segundo a interpretação de Gierlinski e colegas. |
|
|
| Fotografia do famoso exemplar AC 1/7, representando um teropode que se agachou. Em a e b surgem as duas pegadas tridáctilas com impressões de longos metatarsos; c representa a impressão púbico - abdominal; d é a impressão isquíadica. Junto à parte proximal do metatarso esquerdo e associadas com a impressão púbico - abdominal surgem impressões semelhantes a pelos de pincel, cuja interpretação tem estado no centro de uma polémica (modificado de Gierlinski 1997). | Esquema interpretativo do exemplar AC 1/7, segundo Gierlinski (1996, de onde foi modificada a figura). As setas assinalam a eventual presença de impressões regulares ... assemelhando-se a tufos adjacentes de pelo ou penas, cada um com 1 cm de comprimento e 3 mm de largura" (Sabath e Gierlinski 2005). |
Ellenberger (1974) descreveu também algumas pegadas do Jurássico inferior do Grupo Stormberg do Lesotho (África do Sul), que inferiu estarem associadas a impressões de penas. Tanto quanto sabemos, esta interpretação nunca foi objecto de uma análise minuciosa e apenas Molnar (1985) a colocou em causa, sugerindo que se trata de rastos deixados por invertebrados associados a várias pegadas de provável origem dinossauriana. Mas também devemos ter em conta que Ellenberger interpretou originalmente o prolarcetídeo lepidossauriano Cosesaurus, do Triássico médio de Espanha, como um provável antepassado das aves, sugerindo mesmo que o esqueleto estava rodeado por impressões de penas (Ellenberger e Villalta 1974; Ellenberger 1977), o que posteriormente se veio a verificar não corresponder à realidade (Sanz e Lopez-Martinez 1984; Milner1985). |
|
PARA SABER MAIS ... |
"Já não resta qualquer dúvida séria
de que as aves são dinossáurios vivos".
|
Se ainda poderia haver dúvidas
sobre a origem teropodiana das aves a partir de pequenos coelurossaurios, estas
descobertas colocam um ponto final, mostrando que uma espécie de penugem e,
mais tarde, penas simétricas com barbas, surgiram antes das penas do voo
e
"não deixando dúvidas sobre a presenças de uma cobertura semelhante a
penas nos coelurossaurios antes da invenção das aves" (Padian 1998). |
|
|
"Se Heilmann (1925) tivesse observado alguns dos teropodes com penas e/ou as clavículas co-ossificadas que têm sido descritas para quase todos os grupos de teropodes, incluindo taxa de Jehol como Caudipteryx, Sinornithosaurus, Microraptor, Beipiaosaurus, certamente que a sua obra justificando uma origem não teropodiana para as aves nunca teria sido escrita" (Sereno 2004). |
|
Mas estas descobertas
também levantam problemas. Um exemplo - se as penas são encontradas em
oviraptorossaurios como Caudipteryx e
em Protoarchaeopteryx, então também
as deveríamos encontrar nos therizinossauroides, troodontídeos e nos
dromaeossaurídeos. Mesmo colocando de lado Protoarchaeopteryx
em razão do seu estatuto taxonómico incerto (mas fora de Avialae, como é
indicado, por exemplo, pelos dentes serrilhados, segundo Clark et al. 2002), a
presença de penas em Caudipteryx, com
base na sua posição filogenética, indica que as penas também estariam
presentes nos outros grupos não avianos que descendem do mesmo antepassado
comum de oviraptorossaurios e aves modernas. Mas as evidências disponíveis
limitam-se a uma penugem, provavelmente mais complexa do que a observada em Sinosauropteryx,
mas distante de penas primitivas. Esta (aparente) contradição
pode ser explicada / interpretada de várias formas: . resultante de um
artefacto preservacional; descobertas futuras, praticamente certas em Liaoning,
poderão revelar exemplares mais completos . algumas linhagens
podem ter revertido para a penugem primitiva . as penas podem ter
evoluído independentemente em várias linhagens coelurossaurianas . a filogenia dos Coelurosauria tem de ser revista |
|
Brush (2001) salientou
que os mesmos folículos geradores de penas produzem uma variedade de tipos
estruturais de penas durante a ontogenia das aves modernas. "Se a aparente
homoplasia de penas entre os maniraptoranos se deve a ontogenia, tafonomia,
aquisição independente de penas mais derivadas em Protoarchaeopteryx,
Caudipteryx e Avialae, ou "inversões" para um estádio primitivo
em Sinornithosaurus e
Beipiaosaurus é uma questão que no momento actual ainda não pode ser
resolvida" (Holtz 2001). |
|
Um Oviraptor sp. sentado em cima de um ninho, chocando os ovos. |
|
| Por outro lado, já
existem evidências de que pelo menos membros dos oviraptorossaurios e dos
troodontídeos chocavam os ovos de
uma forma semelhante à das aves actuais. A explicação mais parcimoniosa, mais
uma vez, é a de que, no mínimo, o choco em ninhos será ancestral para todas
as linhagens Maniraptora, apesar de ainda não terem sido descobertos ninhos de
dromaeossaurídeos. Aliás, esta poderia ter sido uma das funções primitivas
das penas, tal como são conhecidas em Caudipteryx.
Como não existe (ainda!) informação relativamente a ninhos de teropodes mais
primitivos, não se pode inferir se o comportamento de choco teria ou não
existido em linhagens menos derivadas. |
|
|
PARA SABER MAIS ... |
|
Note-se que quase todos
os investigadores citados estão de acordo num ponto - os teropodes não avianos
com penas não apresentavam os componentes esqueléticos com o necessário
equipamento para o voo
batido aviano. Por
exemplo, em todos os teropodes não avianos de Liaoning os membros posteriores são
mais longos e robustos do que os membros anteriores (a razão entre os
comprimentos dos ossos longos do braço e da perna varia, para estes taxa, entre
32 e 55%; para aves primitivas como Archaeopteryx
e Confuciusornis esta razão varia entre 94 e 95-100%, respectivamente). Por
outro lado, mesmo para os taxa com penas mais derivadas, estas ainda não eram tão
avançadas como as presentes em Archaeopteryx,
o que constitui mais um argumento para a sua não utilização / origem
relacionados directamente com o voo. "Consistente com as penas mais
curtas, nenhum destes teropodes não avianos parece ter estado perto de ter
conseguido voar" (Padian et al. 2001). |
|
PARA SABER MAIS ... |
|
Como
as penas são estruturas muito complexas, exclusivas de um grupo único e
diversificado, podendo executar muitas funções na biologia aviana, a sua
origem evolucionária tem sido sempre um tema controverso. Hipóteses
relacionando a origem das penas como aquecimento (Regal 1975), à prova de
água (Dyck 1985), estruturas sensoriais (Broman 1941), armadilhas para
agarrar insectos (Ostrom 1979), isolamento (Ewart 1921), como cobertura de
choco (Hopp e Oren 2004). A hipótese mais comum é a de que as penas se
teriam originado para o voo (Heilman 1926). Esta última proposta pode
agora ser inequivocamente falsificada porque verdadeiras penas ocorrem num
grande número de teropodes que estão, demonstradamente, fora da divergência
aviana. Mas
mesmo com os notáveis fósseis de Liaoning, ainda nos faltam dados
paleontológicos suficientes para testarmos rigorosamente as várias
teorias para a origem das penas. "Mas temos já uma base par a a construção de um cenário sobre a sua
origem e evolução até às estruturas complexas e diversificadas que as
aves actuais mostram"
(Norell e Xu 2005) As
penas primitivas (estádios I e II) do modelo de Prum são observadas no
compsognatídeo Sinosauropteryx e teriam pouca utilidade para a maioria das funções
propostas como responsáveis pela origem das penas. Contudo, como uma
barreira térmica, elas seriam úteis. De facto, muitas das penas
isoladoras das aves modernas (a penugem) apresentam grandes semelhanças
com essas estruturas. Em animais mais avançados, como Caudipteryx,
observamos penas penáceas completamente desenvolvidas e rémiges e
rectrizes bem desenvolvidas. Estes animais eram incapazes de voar, logo
esta função pode ser rejeitada. Alguns dos exemplares que apresentam plúmulas
na cauda e longas penas nos braços também apresentam evidência de padrões
de bandas nestas penas. As aves modernas (e possivelmente todos os
teropodes) são animais extremamente visuais e as penas que cobrem todo o
corpo são utilizadas como estruturas de exibição. Pode, pelo menos, ser
proposto que a diferenciação das penas possa ter estado associada com
comportamento de exibição e/ou de reconhecimento
(Norell e Xu 2005). Posteriormente, estas penas teriam sido co-optadas para uma função
aerodinâmica com a origem do voo. |
|
|
Assim, todas as evidências
sugerem que as penas e estruturas relacionadas não surgiram para o voo; o
isolamento é uma hipótese testável; também tem sido proposto que teriam
funcionado originalmente com funções aerodinâmicas, como a produção de
impulsos; funções comportamentais como camuflagem, exibição, choco,
reconhecimento de espécies constituem também possibilidades. Combinando as hipóteses
de isolamento e comportamento, é provável que as penas dos braços, em algum
estádio evolucionário, podem ter sido seleccionadas, pelo menos parcialmente,
de modo a que os adultos pudessem modificar comportamentalmente a termorregulação
de ovos num ninho (Padian 1998; Padian et al. 2001). |
|
PARA SABER MAIS ... |
|
"Muitas estas hipóteses
são difíceis de testar directamente e algumas são mesmo não testáveis,
embora não sejam necessariamente não plausíveis" (Padian e Chiappe
1997). "A função mais
provável das penas mais reduzidas do corpo (e presumivelmente das estruturas
semelhantes a pelos de Sinosauropteryx)
seria a de isolamento" (Unwin 1998). "A termorregulação é uma
possibilidade, mas que tipo de termorregulação - eliminando o calor ou
ganhando-o?" (Padian et al.
2001). Estes investigadores
referem que esta é uma falsa dicotomia, tendo em conta que muitos animais que
utilizam o integumento para funções termorreguladoras o fazem de forma flexível
- "o seu comportamento controla a utilização do integumento, perdendo ou
ganhando calor". De facto, as estruturas integumentares podem actuar como irradiadores, reflectindo a radiação solar e contribuindo para impedir o
sobreaquecimento do corpo. Unwin (1998) salienta que, como os teropodes com
penas de Liaoning viviam em ambientes quentes, com temperaturas elevadas durante
todo ano, o seu maior problema poderia ser o de se verem livres do calor e não
o de o reterem. "Será esta a chave para a função real das penas que
surgiram nestes dinossáurios?". Tradicionalmente, tem
sido sugerido que os juvenis, quer ectotérmicos, quer endotérmicos, teriam
grandes vantagens em apresentarem um revestimento isolador. É possível que as
penas tivessem evoluído originalmente nos juvenis como forma de isolamento,
"que eram mantidas e elaboradas nos adultos para diversos fins"
(Padian et al. 2001). Mas as aves e mamíferos neonatos têm quase sempre menos
isolamento integumentar do que os adultos e esta cobertura leva algum tempo a
desenvolver-se. Existe ainda uma outra possibilidade - "pelo menos algumas
destas estruturas terão evoluído nos adultos para ajudarem a termorregulação
das crias". Neste caso, poderão apenas ter-se desenvolvido nos adultos
durante a estação reprodutora, representando uma existência periódica, efémera. Os proponentes da funções originalmente termorreguladoras (activas ou passivas) sugerem, geralmente, que uma penugem terá sido a primeira a evoluir; os que propõem funções de exibição, camuflagem, choco, sugerem que penas longas na cauda ou nos braços terão evoluído em primeiro lugar (Padian e Chiappe 1997). De qualquer forma, se as penas não são uma sinapomorfia das aves, não as diagnosticando, mas são partilhadas por uma vasto grupo de teropodes que não descendem de animais voadores, então é muito pouco provável que se tenham originado directamente para o voo. |
|
"Nos organismos
complexos, o comportamento adaptativo precede geralmente o desenvolvimento de «curto-circuitos»
nas características morfológicas e uma ligeira vantagem na função pode, ao
longo do tempo, tornar-se num sucesso considerável. Uma estrutura pode ser
utilizada para exibição sem ser perfeita ou até muito elaborada e um
filamento com franjas pode fornecer mais isolamento do que um filamento sem
franjas, embora menos do que uma pena. Contudo, o voo
batido não pode ocorrer
sem que a asa esteja completamente «pronta», embora pequenos saltos assistidos
pelo bater das asas «incompletas« ou até diminutas acções de deslizamento
possam ser realizadas. Assim, parece plausível que as penas fossem utilizadas
para vários fins, tal como acontece nos nossos dias" (Padian e Chiappe
1997). |
http://www.dinosaur-museum.org/featheredinosaurs/Are_Birds_Really_Dinosaurs.pdf |
|
PARA SABER MAIS ... |
| Mas será que estas estruturas integumentares serão exclusivas, nos dinossáurios, para os teropodes coleurossaurios? De facto, em 2001 começaram a circular rumores da existência de um dinossáurio marginocefaliano, muito afastado dos teropodes, em que pelo menos a parte da cauda estaria associada a eventuais impressões de proto-penas. A «vida agitada» deste exemplar não parece ainda ter acabado, mas as estruturas integumentares associadas foram descritas por Mayr e colegas em 2002 como semelhantes a cerdas. |
http://elfwood.lysator.liu.se/art/h/b/hbaeder/psittacosaurus.jpg.html |