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JAZIDA DA PRAIA SANTA
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"A informação paleontológica é pobre para
o
intervalo Berriasiano - Aptiano".
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| As pegadas, em número rondando as 60, encontram-se em dois níveis distintos consecutivos, com idade Barremiana, com a camada superior com espessura variando entre 45 e 65 cm. A maior parte dos icnitos surge no nível inferior, já que o estrato superior (assinalado pela seta) apresenta uma área aflorante muitissimo reduzida. Esta camada inferior, fracturada em diversas zonas, apresenta evidência de ter sofrido acções tectónicas intensas, conduzindo à movimentação de fragmentos da camada, o que poderá levar a pensar, em erro, que estamos perante dois níveis distintos. |
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| A jazida com pegadas a oriente da praia Santa foi descoberta por elementos do nosso Grupo em finais de 1996, numa das saídas que realizámos às lajes com pegadas da praia da Salema. | ||
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No final de 1997, já depois de termos realizado a tarefa mais prioritária (o mapeamento de todas as pegadas), elaborámos o primeiro relatório sobre a sua eventual afinidade icnotaxonómica.
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Apresentámos as primeiras fotografias das pegadas e pistas durante a "X Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis" que decorreu entre 6 e 8 de Dezembro de 1996 no Museu Nacional de História Natural, em Lisboa. |
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| Durante a final do concurso
"Programa Galileu", da Secretaria de Estado da Juventude,
realizado em Coimbra em Novembro de 1997, apresentámos já alguns
esquemas das pegadas e respectivas pistas.
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| A passagem para manga plástica / acetato de todas as pegadas observadas no nível tem óbvias vantagens quando pretendemos voltar a analisar os icnitos. | |
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| A camada onde se encontram as pegadas foi afectada tectonicamente pela acção de uma zona de falha. O estrato assinalado pelas linhas vermelhas encontra-se imediatamente acima do camada com pegadas, e está deslocado pela acção de 4 pequenas falhas. Estas têm uma orientação E -W. |
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As setas apontam para o nível principal com pegadas. Observam-se alguns blocos soltos pertencentes a este nível. |
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| As setas assinalam o nível principal com pegadas. A zona a W possuí pegadas de qualidade inferior, estando mal definidas e preservadas. |
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Pormenor do lado W do nível principal com pegadas. As setas assinalam pegadas mal preservadas. A zona central fracturada (onde se encontra o elemento do Grupo) corresponde à zona de falha, e é responsável pela diferença de cota entre as duas partes da camada. |
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| Todas as pegadas encontradas no nível inferior estão preservadas como epirrelevos côncavos. As pegadas em melhor estado de conservação são tridáctilas e mesaxónicas, com comprimento e largura quase idênticos e grande superfície plantar; as impressões dos dígitos são relativamente curtas, mas estes são robustos, largos e com extremidade distal arredondada. | |
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| Mapa geral das pegadas e pistas encontradas no nível "principal" (inferior) da zona a oriente da praia da Santa, realizado a partir de passagem para manga plástica em 1997. As pegadas encontradas nos vários blocos soltos estão representadas segundo a sua provável posição original. Outras pegadas encontradas neste mesmo nível e para ocidente não estão representadas. Vários blocos caídos sobre este estrato, a oriente, tapam provavelmente outros icnitos. Com excepção da pegada T, toda a estante amostra tem afinidade ornitopode. |
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PARA SABER MAIS ... |
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NOVOS DADOS |
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| Observam-se também várias pegadas, umas isoladas, outras formando trilhos, mal preservadas, por vezes como simples depressões pouco fundas. | |
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| Associadas às pegadas de maior dimensão, existem pelo menos duas pequenas pegadas, com comprimento de 25 e 22 cm. A pegada PP, quase tão larga como longa, é morfologicamente idêntica à grande maioria das impressões de maior dimensão encontrada neste nível. Pelo contrário, a pegada 32 apresenta comprimento muito superior à largura e impressões de dígitos também relativamente largos, mas com extremidade distal mais afilada. | ||
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| Identificámos 6 pistas distintas (definidas como sendo formadas, pelo menos, por três pegadas consecutivas, uma correspondendo à impressão do pé direito ou esquerdo e as outras duas às impressões da extremidade do outro membro, para pistas de animais com progressão bípede), com passada relativamente curta e ângulo de passo entre 153º e 165º. As pegadas que as integram (nunca excedendo 8 - 9) apresentam ligeira rotação interna. Não existe qualquer evidência de impressões de mãos. | |
| As características morfológicas das pegadas e da configuração das pistas permitem atribui-las à passagem de dinossáurios ornitopodes Euornithopoda, provavelmente iguanodontianos. Estas características podem mesmo sugerir que os autores desta amostra icnológica fossem iguanodontídeos. |
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De facto, as pegadas dos
pés dos grandes ornitopodes Cretácicos apresentam, geralmente, algumas
características que podem ser consideradas diagnósticas:
. as impressões dos unguais, nas extremidades dos dígitos, assemelham-se a cascos; consequentemente, as impressões dos dígitos são distalmente alargadas e arredondadas . têm dígitos relativamente curtos e robustos, com o dígito III projectando-se pouco para além das impressões dos dígitos laterais . são quase simétricas, porque os respectivos metatarsos tinham comprimento muito idêntico; assim a impressão posterior do "calcanhar" é arredondada, larga e simétrica . são tão largas ou até mais largas do que compridas, porque os dígitos são relativamente curtos e o ângulo de divergência total é relativamente elevado . as impressões digitais são direitas e largas, devido à sua osteologia e limitada mobilidade das falanges . o eixo do dígito III apresenta rotação interna em relação à linha média da pista As pistas são mais largas do que as atribuídas a teropodes (também bípedes tridáctilos), com passada proporcionalmente mais curta e ângulo de passo mais baixo. |
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PARA SABER MAIS ... |
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ICNOTAXA ATRIBUÍDOS A ORNITOPODES CRETÁCICOS |
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A pista 5 integra cinco pegadas consecutivas, quatro das quais relativamente bem preservadas, embora a margem posterior esteja esbatida e sejam mais visíveis as impressões dos três dígitos funcionais, especialmente a parte mais distal. |
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A pista 6, formada por três pegadas consecutivas com comprimento médio de 35 cm, apresenta a maior razão comprimento de passada / comprimento de pegada, o que se traduz numa estimativa de uma maior velocidade de deslocação - cerca de 5,7 km/h, para uma passada média de 2,37 m. |
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| Duas das pistas (1 e 2) apresentam a mesma direcção e sentido de progressão, sendo praticamente paralelas e com um espaço entre elas reduzido (variando entre 36 e 68 cm); representam a passagem de grandes ornitopodes (comprimento médio das pegadas de 46 e 50,5 cm, respectivamente), caminhando a diferentes velocidades (3,4 e 1,9 km/h, respectivamente). | |
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| A pista 3 só pode ser observada tendo em conta que as pegadas que a integram se situam, umas na laje “principal”, outras nos blocos que se fragmentaram e que se encontram a vários metros, mas cuja posição original pode ser inferida. | ||
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| A frequência das diferentes dimensões obtida a partir de pegadas encontradas em múltiplas jazidas sugere que a maioria das pistas deve representar indivíduos diferentes e a explicação mais simples é a de que cada pista representa um indivíduo, embora esta inferência não esteja provada (Lockley 1997). | |
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Foram medidos os comprimentos de pegadas isoladas e para as pistas calculou-se o comprimento médio das pegadas que as integram (com excepção da pista 4, em que apenas foi considerado o comprimento de duas pegadas com bom estado de preservação, 37 e 39). Uma análise deste quadro sugere que neste nível terão passado, no mínimo, 8 indivíduos distintos. |
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Uma análise superficial poderia permitir concluir que nesta jazida surgem pegadas com morfologias diferentes, atribuíveis a diferentes taxa de ornitopodes.
Mas a presença da pegada 37 integrando uma pista (4) em que todas as outras pegadas (com excepção da 39, correspondendo ao mesmo
autopode) estão muito mal preservadas, não apresentando detalhes morfológicos, mostra que o mesmo animal pode deixar impressões com morfologia e até dimensões substancialmente diferentes, dependentes de variados factores:
. perturbações erosivas logo após a passagem do animal . diferenças na compactação dos sedimentos pisados . alterações devidas a acções tectónicas posteriores . perturbação erosiva posterior ao momento em que o nível com icnitos ficou exposto O que pode sugerir que a maioria dos icnitos encontrados neste nível (e até na jazida ocidental da Salema), de comprimento entre 33 e 51,5 cm, tenham sido produzidos por ornitopodes do mesmo taxon. |
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A pegada 37, a que apresenta melhor estado de preservação encontrada neste nível (e provavelmente a “melhor pegada de iguanodontiano descoberta em Portugal”), integra a pista 4, que é formada por 8 - 9 impressões não consecutivas, quase todas em péssimas condições preservacionais, com excepção da pegada 39, correspondente também à impressão do mesmo pé esquerdo do bípede. |
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| Esta pegada tem 49,5 cm de comprimento para 45,5 cm de largura (L/W = 1,09), com ângulos II - III de 30º e III - IV de 35º. É uma pegada tridáctila (?), mesaxónica. Os dígitos são relativamente largos e terminam por uma extremidade arredondada, já dentro da própria rocha. São nítidas as impressões das almofadas digitais e da almofada metatarsofangeal. Apresenta duas indentições laterais em torno da extremidade posterior do “calcanhar”, conferindo um aspecto quase simétrico à pegada. O eixo longo do dígito III tem rotação interna. É uma pegada profunda, ao contrário da restante amostra encontrada neste nível, com excepção das impressões 39 e 36, que integram também a pista 4. | |
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| Mais uma vez estamos perante um ornitopode bípede que progredia a baixa velocidade. Mesmo tendo em conta o mau estado de preservação da maioria das pegadas que integra a pista 4, esta inferência baseia-se no comprimento da passada entre as pegadas 39 e 37 (2,05 m) e na não ocorrência da impressão esquerda que falta entre as pegadas 41 e 40 (ambas direitas, tendo em conta a configuração da pista e o ângulo de passo). | |
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PARA SABER MAIS ... |
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QUEM TERÁ SIDO O PRODUTOR DA PEGADA 37 / PISTA 4 ? |
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A amostra de pegadas com comprimento inferior a 30 cm é muito diminuta e as duas pegadas estão mal preservadas; o que não permite inferir se a morfologia destes icnitos é consistentemente diferente das pegadas de maiores dimensões. É provável que correspondam também à passagem de ornitopodes, mas é difícil afirmar se representam iguanodontianos juvenis do mesmo taxon autor das maiores pegadas ou ornitopodes adultos de outro
taxon. Aliás, é ainda mal conhecida a variação ontogenética das extremidades autopodiais destes dinossáurios. E
um problema semelhante tem surgido aos icnologistas que têm analisado as mais
pequenas pegadas encontradas nos sedimentos do Cretácico inferior da Bacia de
Cameros, Espanha. Por outro lado, "as distorções que afectam a preservação dos ossos são semelhantes, em vários aspectos, às que afectam a preservação das pegadas. Por exemplo, é mais natural que as grandes pegadas, como os ossos de grandes dimensões, tenham mais probabilidades de ficarem preservadas e de serem reconhecidas" (Lockley 1991). E devemos ter em conta estas distorções tafonómicas. De facto, a escassez de pequenas pegadas de ornitopodes Cretácicos pode também ser o reflexo dos dinossáurios jovens serem leves, incapazes de gerarem pegadas, com excepção de substratos muito brandos. E estes substratos, suficientemente dóceis para se deformarem sob um peso relativamente pequeno, podiam não ter a coerência suficiente para deixarem preservadas as suas impressões. Mas a não ocorrência, a nível mundial, de pequenas pegadas em níveis do Cretácico inferior que sejam atribuíveis a ornitopodes ankilopollexianos (em quase todos os casos, as mais diminutas iniciam-se com 15 - 16 cm de comprimento), pode constituir também uma indicação de um crescimento inicial a uma taxa elevada (Matsukawa et al. 1998). |
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| As mais pequenas pegadas de ornitopodes Cretácicos (inferior e «médio») da América do Norte foram relatadas por Lockley et al. (2000) e encontram-se num nível situado 1 m acima do nível principal na jazida de Dinosaur Ridge. Medem 12,6 por 14 cm e 14 por 14 cm (comprimento e largura, respectivamente) e, como a restante amostra icnológica atribuída a ornitopodes proveniente desta jazida, são também incluídas na icnogénero Caririchnium (onde encontramos pegadas idênticas com comprimento variando entre 16,5 e cerca de 50 cm). Estes investigadores referem ainda uma pegada semelhante, descoberta numa jazida de Eldorado Springs, também neste mesmo Grupo Dakota, com 13,5 cm comprimento por 13,8 cm de largura. Esta última pegada parece apresentar calcanhar bilobado, em contraste com os calcanhares unilobados de Dinosaur Ridge. |
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Pegadas de dimensões muito reduzidas encontradas na jazida de Dinosaur Ridge, incluídas no icnogénero Caririchnium (escala: 10 cm). Segundo Lockley et al. (2000). |
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Na jazida de La Era del Peladillo 5 (Enciso,
La Rioja,
Espanha), datada do
Aptiano, ocorrem várias pegadas de pequenos ornitopodes, com comprimento
rondando os 9,8 cm (Casanovas et al. 1997). A disposição das pegadas sugere
que vários ornitopodes de dimensão muito reduzida, quase recém-nascidos
(Pérez-Lorente (2003) estima uma altura de anca de cerca de 47 cm),
passaram na zona, onde também surgem pistas de ornitopodes integrando pegadas
com dimensões muito superiores (comprimento ultrapassando os 30 cm). "É
possível que a associação neste local de pegadas de ornitopodes de dimensões
muito distintas sejam consequência de comportamento gregário e familiar"
(Casanovas et al. 1997). Segundo estes investigadores, 4 destas diminutas
pegadas podem ser integradas numa pista, com ângulo de passo de 153º,
sugerindo que "o ornitopode caminhava a velocidade baixa, 2,2 a 2,5 km / h". |
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Esquema
de 4 pegadas de pequenos ornitopodes (comprimento entre 9 e 10 cm), que surgem
associadas a pegadas de ornitopodes de maior dimensão (escala: 10 cm)
(modificado de Casanovas et al. 1997). |
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| Francis (2001), num breve resumo, relatou a descoberta de várias pegadas na ilha de Portland (Inglaterra), numa lage de uma pedreira desactivada. Segundo esta investigadora, as pegadas tridáctilas têm afinidade ornitopode e são "muito semelhantes às ... produzidas por Iguanodon". A maioria está preservada como impressões pouco profundas e o comprimento não ultrapassa os 14 cm. Mas estes icnitos, ocorrendo numa camada entre a Formação Portland Stone e os calcários sobrejacentes da Formação Purbeck Lulworth, deverão ter uma idade correspondendo ao Jurássico final, provavelmente ao Titoniano. |
http://www.soton.ac.uk/~imw/portdino.htm West (2004) referiu e ilustrou algumas pegadas de ornitopodes de reduzidas dimensões encontradas na ilha de Portland. Duas destas pegadas, aparentemente consecutivas, estão muito distanciadas, sugerindo que o ornitopode se deslocava a grande velocidade. |
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Esquema de pegadas de reduzidas dimensões atribuídas a hadrossaurídeos encontradas no tecto de uma mina de carvão de Price, Utah (retirado de Karpenter 1992) (escala: 2 cm). |
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Existem abundantes evidências icnológicas, a nível mundial, de que os ornitopodes exibiam tendências gregárias - pistas do Cretácico da Canadá, Coreia do Sul,
Estados Unidos, Inglaterra e Espanha exibem orientações paralelas, que sugerem a passagem simultânea de iguanodontianos em grupo. É interessante verificar que, geralmente, estes grupos são formados por indivíduos de dimensões idênticas, parecendo existir uma segregação por idade. Neste estrato inferior da região a oriente da Praia Santa, com excepção das pistas 1 e 2, as orientações e sentidos de progressão inferidos a partir das pistas e das pegadas isoladas parecem bastante variáveis, tal como é diferenciado o estado de preservação dos icnitos, podendo implicar passagem em tempos diferentes, quando as condições do substrato pisado eram também substancialmente diferentes. |
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http://www.stuffnet.ic24.net/whatson/whatson.htm |
Os bípedes autores das pistas 1 e 2 podem ter passado ao mesmo tempo, já que a direcção e sentido de progressão são idênticos; existe grande semelhança entre as dimensões das respectivas pegadas (logo, de idades dos seus produtores); a diferença de velocidade é reduzida; as pegadas das duas pistas apresentam profundidade / grau de preservação idênticos. O interespaçamento entre as duas pistas é também compatível com uma passagem lado a lado. |
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PARA SABER MAIS ... |
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O REGISTO ICNOLÓGICO E COMPORTAMENTO GREGÁRIO ENTRE ORNITOPODES CRETÁCICOS |
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Orientação de pistas e pegadas isoladas (N=19). |
O sentido e orientação das pistas 3 e 5 são também muito semelhantes. Podem até representar a progressão do mesmo animal, embora exista uma ligeira diferença nas dimensões das respectivas pegadas e, sobretudo, no passo médio (cerca de 90 cm para a pista 3 e cerca de 105 cm para a pista 5). A pista 6 e as pegadas que integram a “pista 7”, produzidas, sem dúvida, por animais distintos, apresentam também sentido e orientação
idênticos. O mesmo acontece com as pegadas consecutivas 29 e 30. |
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| Mais uma vez, temos uma ausência sistemática de impressões de caudas nestas pistas atribuídas a ornitopodes, contribuindo para alterar a tradicional visão destes animais como pachorrentos, arrastando a cauda de forma semelhante à dos lagartos ou crocodilos, para animais activos, dinâmicos, mantendo as caudas erectas. |
PARA SABER MAIS ... |
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PISTAS DE ORNITOPODES COM IMPRESSÕES DE CAUDAS (?) |
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Neste
mesmo nível encontramos a “pista 7”, formada por três pegadas alinhadas,
mas não consecutivas - no local da
pegada esquerda em falta existe uma enorme escavação rocha. E, aparentemente,
estas pegadas revelam a passagem de um enorme iguanodontiano, já que a pegada
com melhor preservação (nº 56), emersa apenas durante os períodos de marés
mais baixas, tem um comprimento de 79,5 cm para uma largura de 70 cm! |
| Se
esta impressão tridáctila, correspondendo ao autopode posterior direito
(inferido pelo alinhamento das pegadas e pela rotação interna), representar de
facto as dimensões reais do pé do ornitopode - por outras palavras, se não
for uma sub-impressão ou se as suas dimensões não tiverem aumentado por
efeito da dissolução da água, por deslizamento do pé num substrato mole ou pela acção de movimentos tectónicos - então
podemos inferir que o animal teria uma altura de anca entre 4 a 4,5 m, para um
peso total ultrapassando as 9 toneladas e um comprimento total superior a 12 m! |
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| Não existem
evidências de que a pegada tenha "aumentado" de dimensões em
relação às originais através de um escorregamento / deslizamento do
pé do ornitopode, já que nesta situação deveríamos observar:
. uma impressão alongada do "calcanhar", prolongada posteriormente e / ou com contornos difusos . uma região do "calcanhar" bastante menos profunda do que a restante parte da pegada . estrias revelando a direcção do deslizamento Carpenter (1992) inferiu que esta situação ocorre em várias pegadas atribuídas a hadrossaurios do Cretácico superior do Grupo MesaVerde (América do Norte), porque todos os critérios referidos estão presentes. Também não há qualquer evidência de que o pé do animal tenha deslizado num substrato mole e escorregadio, deixando uma «dupla impressão», como a exemplificada por Currie (1989). |
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| Pegada atribuída a hadrossaurio (holótipo de Dinosauropodus magrawii) com "calcanhar" alongado devido a deslizamento, segundo Carpenter (1992) (escala: 10 cm). | Dupla impressão do pé de um grande ornitopode, provavelmente hadrossaurídeo, do final do Cretácico inferior de Peace River, Canadá (escala: 20 cm). O animal terá escorregado e virado num terreno lamacento (retirado de Currie 1989). |
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E
não conhecemos pegadas atribuídas a Iguanodontidae com estas
dimensões, embora algumas pegadas do Cretácico superior, inferidas
como tendo sido produzidas por hadrossaurídeos (com base, em parte, em
critérios temporais e dimensionais) apresentem dimensões desta ordem
de grandeza. As reconstituições de Iguanodontidae a partir dos
elementos osteológicos sugerem a ocorrência de animais com dimensões
inferiores. Será que esta pegada pode ser atribuída a um Hadrosauridae,
embora, como é comum nas pegadas estratigraficamente mais recentes,
não apresente a margem posterior bilobada? |
| Nas minas de carvão do Cretácico superior do Utah são abundantes as pegadas de grandes dimensões atribuídas a hadrossaurídeos. | ||
| Se
esta inferência se confirmasse, significaria que o grupo Hadrosauridae teria
uma origem mais antiga (pelo menos para o Barremiano) do que o seu registo
osteológico conhecido sugere. Eolambia,
descoberto recentemente em sedimentos do final do Albiano - Cenomaniano inicial
(100 - 98 milhões de anos), no Utah, pode representar o mais antigo
hadrossaurídeo conhecido (Kirkland 1998), embora esta interpretação já tenha
sido colocada em causa (Head 2000). As análises cladísticas calibradas
temporalmente sugerem uma origem do grupo em meados do Aptiano (Sereno 1999) e
Currie referiu que o icnotaxon
Amblydactylus, do Aptiano - Albiano, pode representar a mais antiga evidência
de membros deste clade. |
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PARA SABER MAIS ... |
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PROVÁVEL AFINIDADE TAXONÓMICA DA PEGADA 56 / "PISTA 7" |
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| Apenas
uma das pegadas (T) apresenta características que a permitem distinguir
claramente da restante amostra encontrada no nível inferior da região oriental
da jazida da praia da Santa. É constituída apenas pelas impressões de três dígitos
esguios, com terminação distal afilada, pontiaguda e curvada, especialmente
para os dígitos II e III, já que se trata muito provavelmente de uma impressão
do pé esquerdo. Não se observa qualquer vestígio da extremidade distal dos
metatarsos, nem qualquer rebordo levantado em torno das impressões dos dígitos.
Isto sugere que o substrato pisado estava relativamente consistente e/ou que o bípede
se deslocava a velocidade elevada.
Infelizmente, trata-se de um pegada isolada. |
Os
comprimentos das partes impressas dos dígitos III e IV são quase idênticos
(30 e 29 cm, respectivamente), enquanto que para o dígito II o valor é de 20
cm. Um elevado grau de variabilidade, tanto aleatória como consistente,
pode ocorrer entre pegadas que formam uma única pista produzida por um
mesmo animal. E um exemplo desta variação consistente é a curvatura
para dentro da extremidade distal do dígito III em relação ao eixo
longo de pegadas tridáctilas, que ocorre em muitos dos icnitos
atribuídos a teropodes. Assim, um critério adicional para inferir uma
origem teropodiana desta pegada é a ligeira curvatura sigmoidal para
dentro, em relação ao eixo longo, da porção distal do dígito
central, notada pela primeira vez por Langstron (1974), descrita por
Farlow (1987) e que Pittman (1989) considerou como uma das
características típicas das pegadas de teropodes. Como é típico das pegadas atribuídas a
teropodes, o dígito III é o mais largo (cerca de 6 cm de largura máxima,
enquanto que a largura máxima do dígito IV ronda os 5 cm. A largura dos dois
terços distais do dígito II é inferior (entre 3 e 3,5 cm), mas na sua parte
proximal ronda os 6 cm. |
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PARA SABER MAIS ... |
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PEGADAS SUBDIGITÍGRADAS DE TEROPODES |
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Se pode acontecer, então vai acontecer.
2ª Lei de
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| Todos os níveis com pegadas, logo que surgem à superfície, expostos, estão sujeitos às leis do planeta: os agentes de destruição são muitos, incluindo sismos, vento, água, plantas, espezinhamento por homens e outros animais. E ao mais implacável de todos eles - o tempo. Mas há muitas modos de retardar a sua acção destruidora ...Esta é mais uma jazida com pegadas que se vai perdendo dia a dia. As próprias águas da maré cheia cobrem parte deste estrato, situação que se agrava nas alturas das marés vivas. | |
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OUTRAS REFERÊNCIAS |
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| Para
observar estas pegadas, o acesso à praia Santa é relativamente fácil, embora devam ser tomadas algumas
precauções: roupa e sapatos adequados, companhia e maré vazia.
Pode seguir 4 percursos distintos: . partir da praia da Salema, a pé, e seguir para ocidente, o trilho sobre as arribas; . subir pela estrada interior ao morro entre a Salema e a Figueira e seguir a pé pelo trilho já existente; ao avistar a pequena enseada da Santa, pode descer à praia e seguir, com a maré vazia, para oriente sobre as rochas; . ou pode cortar à esquerda, subir a arriba, voltando a descer já sobre as lajes com pegadas Escolhemos este último percurso nas actividades que desenvolvemos no âmbito do "Geologia no Verão" 2001 e 2002.
. com a maré vazia, seguir sobre as rochas para ocidente, partindo da praia da Salema e passando uma pequena enseada. Este último percurso é o mais rápido, mas devem-se tomar precauções em relação ao horário e altura das marés. Em 4 e 5 de Setembro de 2003, foi o caminho que escolhemos para o acesso à jazida por parte dos participantes no "Geologia no Verão". As coordenadas geográficas da jazida são: N 37º 03' 40.0'' e W 8º 50' 15.3''. |
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PARA SABER MAIS ... |