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PARA SABER MAIS ... |
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"A descoberta (dos teropodes com integumento aviano de Liaoning)
é a mais importante dos últimos 140 anos e coloca um ponto
final numa controvérsia
antiga - as aves são dinossáurios".
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Até
há bem pouco tempo a maioria dos paleontologistas não tinha grandes esperanças
em encontrar evidências de dinossáurios teropodes de pequena dimensão, do Jurássico
final (ou até do Cretácico inicial), com uma cobertura idêntica à de penas,
que poderiam preencher a lacuna entre Archaeopteryx
e os teropodes relacionados mais de perto com as aves. As recentes descobertas
de vários taxa teropodianos, de pequenas dimensões e com integumento formado
por penas, do Cretácico inferior de Liaoning "deixaram a comunidade científica
em estado de choque" já que essa lacuna parece agora estar, mesmo que
parcialmente, preenchida (Unwin 1998). |
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http://www.amnh.org/learn/pd/theropods/fossilhunt_week2/page2.html |
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A Formação Yixian e unidades adjacentes do Grupo Jehol, da província de Liaoning (China), do Cretácico inferior, começou a revelar uma variedade e abundância de vertebrados fósseis surpreendentes e com grau de preservação excepcional - uma fauna completa em toda a sua variedade (Luo 1999). O Grupo Jehol é uma espessa sequência (mais de 1000 de espessura) de sedimentos fluviais e lacustres do Cretácico inferior (Swisher et al. 2002; Zhou et al. 2003; contra Wang et al. (2003), que sugeriram uma idade correspondendo ao Jurássico superior), com abundantes lavas e cinzas. A parte inferior da sequência é incluída na Formação Yixian, enquanto que a parte superior é referida à Formação Jiufotang e à Formação Fuxin (Chen et al. 1980). A Formação Jiufotang foi recentemente datada dos inícios do Aptiano (He et al. 2004), confirmando que representa a continuação de depósitos de lagos, como os da Formação Yixian. "Neste momento podemos apenas concluir, provavelmente, que a sedimentação de Jehol teve uma duração superior a 8 milhões de anos (entre 128 M.a. e 120 M.a.), entre o Barremiano e o Aptiano" (He et al. 2004). http://www.paleomag.net/members/huaiyuhe/publication/2004GL019790-pdf.pdf Nos níveis mais inferiores os esqueletos a três dimensões são comuns, mas geralmente não conservam impressões do integumento. Nos níveis mais recentes, os exemplares são geralmente encontrados «aplanados», em duas dimensões, mas tornaram-se famosos pela preservação de estruturas integumentares. |
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| Yixianosaurus longimanus representa a nona espécie de dinossáurio teropode não aviano, com penas, encontrada em Liaoning (Xu e Wang 2003). |
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“O Biota de Jehol representa já o ecossistema terrestre Mesozóico
mais completo de que dispomos: os trabalhos em curso
continuarão a fornecer resultados excitantes”.
Barrett e Hilton 2006
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Durante o Cretácico inferior, ocorreria uma região bio-geográfica distinta e isolada na Ásia oriental, que incluía a maior parte do norte da China e algumas zonas costeiras da China oriental, sul da Mongólia, Coreia, Japão e região Transbaikaliana da Sibéria. Esta região bio-geográfica é caracterizada pela presença de uma enorme diversidade de animais e plantas terrestres, incluindo gastropodes, ostracodos, bivalves e univalves, peixes, tartarugas, répteis, mamíferos, esporos e polen. Formam um biota Mesozóico terrestre distinto, conhecido pelo “Biota Jehol”. |
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A secção tipo da Formação Yixian é Jingangshan, onde encontramos peixes, como “Lycoptera” muroii, lagartos, insectos (como Ephemeropsis trisetalis) e até ovos de pterossaurios com embriões. |
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O mais antigo mamífero placentado conhecido, Eomaia scansoria, provem da parte mais inferior da Formação Yixian, na secção Dawangzhangzi. Nestes estratos, localizados a 15 km de Lingyuan, são também encontrados dinossáurios como penas, como Sinosauropteryx prima e Sinornithosaurus millenii, teropodes avianos como Confuciusornis sanctus e Liaoxornis delicates, o mais antigo mamífero marsupial conhecido, Sinodelphys szalayi, e algumas das angiospérmivas mais antigas conhecidas, como Archaefructus sinensis. |
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http://www.ipc2006.ac.cn/pdf/Pre-Congress%20Excursion%20A5.pdf |
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Recuemos
ao Cretácico inferior (provavelmente ao Barremiano) e vejamos onde é que estes
animais viviam e morriam em Liaoning. Vegetação luxuriante envolvia grandes
lagos de água doce, num clima quente, sub-tropical, enquanto que no horizonte
se elevavam pequenos focos de fumos e cinzas, emitidos por vulcões sonolentos.
Nas margens destes lagos e nas suas águas superficiais pululavam animais e
plantas microscópicas, fonte alimentar para abundantes caracóis, bivalves e
larvas de insectos que, por sua vez, serviam de repasto a cardumes de peixes
licopterídeos, bem como a pterossáurios que se deslocavam pelos baixios
lodosos sobre as quatro patas. |
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http://www.dlnm.org/english/008.htm# Archaefructus liaoningensis representa a mais antiga angiospérmica conhecida. |
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http://www.fossilshk.com/fishes_ "Estes peixes são tão numerosos que o bloco com cerca de 30 x 30 cm mostra entre 50 a 100 indivíduos" (Grabau 1928, provavelmente o primeiro investigador a reconhecer a importância do registo fossilizado encontrado em Liaoning). |
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http://www.fossilmuseum.net/Fossil_ |
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Recentemente,Ji et al. (2004) descreveram uma nova espécie de Archaefructus, A. eoflora, também da Formação Yixian, revelando apresentar "uma verdadeira flor bissexuada". |
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Uma das mais antigas rãs conhecidas. |
E um ovo com um embrião de pterossaurio. |
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Circundando
estes lagos, florestas densas de coníferas e gingkos e zonas arbustivas de
fetos e cicádeas. Por entre esta vegetação e no ar fétido e quente esvoaçavam
inúmeros insectos, que alimentavam lagartos e pequenos mamíferos. Bandos de Confuciusornis, aves coloridas, resplandecentes com as suas vistosas
caudas, soltavam gritos agudos enquanto saltavam de ramo em ramo, enquanto que
outras aves, voadoras mais eficientes, como Yanornis, Cathayornis,
Jibeinia, Liaoxornis
e Liaoningornis,
se alimentavam dos insectos. Por entre os troncos ou espreitando furtivamente
entre os fetos, de onde saltavam rapidamente para agarrarem um lagarto com um
golpe de garras, viviam pequenos teropodes, com membros posteriores longos -
predadores diminutos, do tamanho de um peru, envolvidos, não com escamas
reptilianas, mas com uma penugem e / ou também com algumas penas longas. |
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http://www.sino-collector.com/eng/_private /cjyd/zjlt/hjs-hs/pic-l/hs0031.jpg
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| Pé de Jeholornis, mostrando o hallux não invertido. Segundo Zhou e Zhang (2006) (de onde é retirada a fotografia), novos exemplares desta ave primitiva "parecem apresentar um hallux incompletamente invertido ou simplesmente não tinham um hallux invertido" E todas as outras aves Cretácicas apresentam um hallux invertido. A não presença de um hallux totalmente invertido é obviamente uma característica primitiva dos seus antepassados dinossaurianos. | ||
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Sementes preservadas no estômago da ave basal Jeholornis prima, da Formação Jiufotang, Chaoyang, sugerem uma ave com hábitos alimentares granívoros (segundo Zhou 2006, de onde é retirada a fotografia).
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Reconstituição da ave primitiva Protopteryx, de acordo com Zhou e Zhang (2001), de onde é retirado o esquema e fotografia. |
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Durante bastante tempo Confuciusornis sanctus, e apesar das centenas de exemplares conhecidos, era uma ave cujos hábitos alimentares estavam praticamente desconhecidos (e quando as evidências faltam ou são escassas, a solução mais simples, com base na morfologia e dimensões do bico, é esta: alimentava-se de plantas ou de grãos). Mas um exemplar analisado por Dalsatt et al. (2006) foi descrito como preservando restos de peixe no seu interior, “no sistema alimentar”. Este exemplar, proveniente da Formação Jiufotang (cerca de 5 milhões de anos mais antigo do que as outras aves confuciusornitídeas descritas), parece revelar uma dieta piscívora, embora essa associação possa também ser apenas fortuita.
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| Exemplar da ave Confuciusornis sanctus, em que a posição dos restos de peixes está indicada pelo rectângulo vermelho (a). Em (b) está esquematizado o exemplar. Em (c) surgem os restos de um peixe (cf. Jinanichthys) (retirado de Dalsatt et al. 2006). |
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| Penas de Confuciusornis, mostrando as primárias alongadas em comparação com as reduzidas secundárias (à esquerda). Penas dos membros posteriores de um outro exemplar de Confuciusornis (à direita) (retirado de Zhou e Zhang. 2006). | |
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http://www.sino-collector.com/eng/_private/cjyd/zjlt/hjs-hs/pic-l/hs0028.jpg |
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http://www.sino-collector.com/eng/_private/cjyd/zjlt/hjs-hs/pic-l/hs0028.jpg |
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Outro espectacular teropode aviano foi recentemente descrito a partir de um esqueleto praticamente completo e articulado, apresentando ainda a sua plumagem. Segundo Zhou e Zhang (2005), este nova ave - Hongshanornis longicresta - é o membro mais basal conhecido de “Ornithurae” e a “mais antiga orniturínea com bico” (fotografia do crânio retirada de Zhou e Zhang 2005).
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| Uma nova orniturínea basal, revelada por um esqueleto praticamente completo, acabou de ser descrita por Zhou e Zhang (2006) - Archaeorhynchus spathula. A presença de "três dúzias de gastrólitos sugere uma dieta herbívora" (Zhou e Zhang 2006, de onde é retirada a fotografia). Os gastrólitos estão assinalados por GS. |
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http://news.nationalgeographic.com/news/2004/10/1021_041021_bird_embryo.html |
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| Zhou e Zhang (2004) encontraram mesmo o mais antigo teropode aviano representado por um embrião. | |
| Mas
este paraíso Mesozóico sofria perturbações de tempos a tempos e com uma
periodicidade quase regular. Os vulcões entravam em erupções ocasionais,
espalhando cinzas e poeiras e gases venenosos na atmosfera. Quando estes
atingiam as florestas, comunidades inteiras eram dizimadas em poucos instantes e
os seus restos mergulhavam nas águas dos lagos, arrastados ou transportados
pelas veleidades das condições atmosféricas resultantes das erupções. Os
lagos ficavam também envenenados, aniquilando todas as cadeias alimentares,
desde peixes a larvas de insectos, passando pelos organismos mais simples e
diminutos. Globalmente, imensos pedaços de plantas e milhares de peixes,
insectos caracóis, bivalves e alguns lagartos, pterossaurios, aves e dinossáurios
com penas enterravam-se lentamente nos fundos escuros e mortos destes lagos
agora sem vida. |
http://www.amnh.org/learn/pd/theropods/fossilhunt_week2/index.html |
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http://www.amnh.org/learn/pd/theropods/fossilhunt_images/caudipteryx.jpg |
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| Felizmente
para os paleontologistas, as condições nestes fundos eram extremamente «desconfortáveis».
Não havia oxigénio e raros seriam os organismos que ali conseguiam sobreviver,
para além de algumas algas e bactérias extremamente resistentes. Assim, as
carcaças podiam assentar tranquilamente, sem sofrerem a acção de necrófagos,
com os processos da decomposição sendo muitíssimo
lentos, e dando tempo aos
minerais para se precipitarem sobre e à volta dos tecidos moles, permitindo a
sua preservação para sempre. |
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Quatro diferentes tipos de penas com ráquis encontrados em aves de Liaoning (segundo Zhou et al. 2006, de onde é retirada a fotografia). |
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PARA SABER MAIS ... |
| Este
constitui o acontecimento crítico relacionado com a preservação do
integumento dos teropodes de Liaoning. Mesmo quando um dinossáurio fica
preservado como um fóssil (acontecimento muito raro), geralmente são apenas os
tecidos mais duros (ossos e dentes) que sobrevivem o suficiente para se tornarem
fossilizados. Só em ocasiões muito excepcionais é que os tecidos externos
moles, geralmente a pele ou estruturas superficiais (como as penas de Archaeopteryx
encontradas em Solnhofen)
conseguem deixar impressões nos sedimentos. De facto, descobertas de dinossáurios
em que se observa a replicação dos tecidos moles por minerais ainda são
extremamente raras. Apenas cinco ou seis jazidas forneceram material deste tipo
e os restos encontrados em Liaoning estão entre os mais importantes, quer pela
óptima qualidade da preservação (para além da evidência das estruturas
integumentares, observamos bainhas de garras, a presença de ovos dentro do
corpo das futuras mães, de
conteúdos estomacais, revelando as últimas refeições,
e até de vários órgãos internos, incluindo os olhos
e possivelmente o fígado), quer pelo número e variedade dos exemplares já
encontrados. Graças
a catástrofes naturais que ocorreram sucessivamente há milhões de anos, com
pouco intervalo de tempo entre elas, temos agora teropodes incrivelmente
fossilizados com os tecidos moles preservados, que nos ajudam a resolver algumas
das grandes controvérsias relacionadas com a biologia dos dinossáurios. O enterramento em microambientes anóxicos promoveu a preservação os tecidos moles. O exame microscópico das penas preservadas não revelou vestígios de materiais de substituição (Brush 2001). Pelo contrário, existem finos filmes de podem representar produtos da decomposição das penas devido a actividade bacteriana. |
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Informação tafonómica adicional fornecida por Guo et al. (2003), baseada na composição dos tufos vulcânicos que formam grande parte do Grupo Jehol, sugere que eles são muito ricos em produtos voláteis, incluindo enxofre, flúor e cloro. Isto suporta interpretações anteriores que apontavam as emissões gasosas associadas com o vulcanismo como um factor muito importante que contribuiu para a mortalidade em massa de organismos. As catástrofes ambientais podem ter sido exarcebadas com a produção de chuvas ácidas. E estes mesmos compostos devem ter contribuído para a excepcional preservação observada, através de reacções químicas atípicas ocorrendo dentro desses ambientes sedimentares, embora esta hipótese ainda deva ser investigada (Barrett e Hilton 2006). |
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http://ns.dinosaur.pref.fukui.jp/archive/memoir/memoir002-123.pdf |
Mas a preservação de estruturas integumentares distintas das escamas não parece ser exclusiva de dinossáurios teropodes não avianos. Nos inícios de 2001 circularam rumores de que um exemplar marginocefaliano, um Psittacosaurus, igualmente de Yixian, teria associado à parte da cauda estruturas semelhantes a proto-penas. Mayer et al. (2002) descreveram este integumento "extraordinariamente bem preservado", sugerindo que as estruturas são distintas das proto-penas teropodianas e mais semelhantes a cerdas.
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PARA SABER MAIS ... |
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Mas
estas catástrofes, para além dos detalhes dos tecidos moles, podem também
perpetuar aspectos comportamentais que, de outro modo, dificilmente poderiam ser
inferidos. É o caso do "Dragão
com sono profundo", Mei
long (Xu e Norell 2004), um pequeno troodontídeo que morreu na típica posição
adoptada pelas aves modernas quando descansam ou dormem.
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Na região ocidental de Liaoning, o biota de Jehol também fornece abundantes répteis lacustres coristederianos, um grupo de répteis aquáticos mal conhecido, mas muito distinto e cujo registo fóssil tem uma vasta extensão temporal (entre o Triássico final e o Oligocénico final) e geográfica (Ásia, América do Norte e Europa). Apesar de serem conhecidos muitos exemplares, não existiam evidências directas para determinar se estes animais eram ovíparos, como as tartarugas marinhas, ou vivíparos, como Keichousaurus hui de Pachyleurosauria (répteis marinhos). Uma das jazidas situa-se perto de Lingyuan, na Formação Yixian, onde vários exemplares de Hyphalosaurus lingyuanensis foram encontrados. A outra importante jazida localiza-se perto de Baitaigou, na Formação Jiufotang, em que centenas de exemplares H. baitaigouensis estão já contabilizados. Um destes exemplares ocorre juntamente com ovos embrionários de «casca mole», fornecendo “a primeira evidência directa que indica que os répteis coristoderianos eram muito provavelmente vivíparos” (Ji et al. 2006). |
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Exemplares bem preservados de Hyphalosaurus baitaigouensis, mostrando uma associação de um adulto com um juvenil (retirado de Ji et al. 2006). |
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Exemplar muito bem preservado de Hyphalosaurus baitaigouensis junto de mais de 11 ovos com embriões dispersos em volta do seu esqueleto (indicados pelas letras A - L) (retirado de Ji et al. 2006). |
Embriões de ovos A e B. As cascas são muito finas e membranosas, explicando a razão das morfologias dos ovos serem muito variáveis. Estes ovos têm dimensões muito reduzidas (o menor com diâmetro inferior a 0,5 cm), mas mesmo assim têm embriões, mostrando que estão num estádio de desenvolvimento dentro do corpo da mãe. É muito provável que Hyphalosaurus baitaigouensis desse à luz crias vivas dentro de água. Ji et al. (2006) (de onde é retirada a fotografia) sugeriram que a morte deste animal pode ter sido devida a um acontecimento súbito, como uma erupção vulcânica, um sismo, uma inundação, e que o esqueleto e ovos tenham ficado enterrados no fundo de um lago. Não rejeitaram a ideia que a mãe tenha abortado (eventualmemnte, por um desses acontecimentos ou por um ataque de um predador), sendo nessa altura os ovos expelidos do corpo materno. |
Assim,
podemos
mesmo chamar a estas jazidas de Liaoning a "Pompeia Cretácica".
Plantas e animais morriam instantaneamente, mergulhados numa nuvem de
cinzas ou de gás tóxico, resultante de actividade vulcânica recorrente,
que Ackerman (1998) sugeriu ter uma origem a oeste, na actual Mongólia
interior e ficando preservados nos sedimentos acumulados nas águas calmas
de ambientes lacustres.
http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?ViewItem&item=260040135071 |
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Mas em Liaoning não encontramos apenas as evidências do integumento de teropodes. Vários répteis não dinossaurianos revelam a cobertura de escamas; mamalianos e pterossaurios deixaram para a posteridade integumentos formados por tufos de pelo. |
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| Neste exemplar do réptil campossaurio Monjurosuchus observamos as escamas da pele que cobriam os membros posteriores e a cauda (retirado de Norell 2005). | No mamaliano primitivo Maotherium o integumento ficou preservado na forma de tufos de pelo (retirado de Norell 2005). |
Em 2005, novos exemplares com impressões integumentares penáceas foram descritos. Mas estes esqueletos foram encontrados noutras Formações da China, podendo-se esperar que esses depósitos possam também representar Laggerstatten. |
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Ji
et al. (2005)
descreveram "A mais antiga ave aviana da China (Jinfengopteryx elegans)", embora, aparentemente, os autores
tenham querido dizer "a mais primitiva" em vez de "a mais
antiga". |
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Xu
e Zhang (2005) descreveram um novo taxon teropode, um membro basal de
Eumaniraptora, em que também se observa a ocorrência de longas penas.
Entre outros aspectos interessantes, este novo fóssil foi descoberto, não
em Liaoning, mas em Nei Mongol, representando assim mais uma jazida com
excelente preservação de tecidos moles. Mas há outros aspectos
significativos. Por exemplo, a idade deste eumaniraptorano, Pedopenna
daohugouensis, poderá estar situada entre o Jurássico médio e o Jurássico
final. E a presença das longas penas, localizadas nos
pés, levou Xu e Zhang (2005) a sugerirem que "esta morfologia
poderá representar uma adaptação primitiva perto da transição
?teropode - ave". A ocorrência de penas nos metatarsos de
dromaeossaurídeos basais levou vários investigadores a sugerirem que o voo
poderá ter tido a sua origem a partir de "cima para baixo" (hipótese
arbórea), com um estádio planador intermédio, provavelmente tetrapteryx...
Mas esta característica poderia também representar apenas uma
sinapomorfia do clade dos dromaeossaurídeos, "irrelevante para a
transição ? teropodes - aves". Com a descoberta de penas idênticas
e com a mesma localização em Pedopenna,
Xu e Zhang (2005) sugeriram que as penas associadas aos metatarsos
"podem ter desempenhado um papel importante na origem do voo aviano". |
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Durante o Jurássico final - Cretácico inicial, a China era um continente isolado, formado por várias grandes ilhas. No Jurássico inferior, quando se iniciou a fragmentação do Pangea, os blocos norte e sul da China, juntamente com a Indochina e o sudoeste asiático, «seguiram» para norte. Posteriormente, um mar estreito, o Oceano Mongol - Okhotsk, separou o norte da China da Sibéria (Scotese 1991). Luo (1999) argumentou, com base nesta paleogeografia e no registo fóssil, que várias faunas do Cretácico inferior de Liaoning são muito semelhantes a faunas do Jurássico final da Europa e América do Norte. Por outras palavras, estas faunas, evoluindo num isolamento prolongado, seriam «relíquias» ou fósseis vivos. Muitos dos novos taxa de vertebrados e de invertebrados, continuamente descritos, parecem suportar a hipótese de que o Biota de Jehol representa uma fauna transitória, “em que formas “arcaicas” Jurássicas viviam com novas linhagens evoluindo in situ e com imigrantes mais cosmopolitas que chegavam com o fim do isolamento da Ásia oriental, algures durante o Cretácico inferior (Zhou et al. 2003)” (Barrett e Hilton 2006). |
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Os dados paleobotânicos (Zhou et al. 2003) parecem fornecer evidências contraditórias sobre as condições climáticas que prevaleciam durante os tempos de Jehol. Plantas, interpretadas como xerófitas (incluindo as coníferas Brachyphyllum, Plagiophyllum e asgnetalianas como Ephedrites, Gurvanella sugerem condições climáticas áridas a semi-áridas. Cavalinhas (Equisetites), com enormes sistemas radiculares, cicadófitas com folhas espessas e membranosas, fetos e ginkgoeleanas com folhas relativamente pequenas e pouco espessas suportam a mesma interpretação, tal como a presença de gesso entre as argilas da Formação Yixian. Mas também estão presentes plantas indicadoras de ambientes mais húmidos, incluindo fetos hidrófilos e briófitas. “Estes sinais paleoclimáticas opostos têm sido utilizados para inferir a existência de flutuações climáticas entre condições áridas / semi-áridas e condições mais mésicas, embora ainda não esteja estabelecido se as plantas mésicas representam elementos vegetais riparianos ou aquáticos, ou plantas colonizando canais de água efémeros conduzindo a lagos” (Barrett e Hilton 2006). Mas as flutuações climáticas também são suportadas pela frequência da alternância na laminação e bandeamento primário nos sedimentos do Grupo Jehol, sugerindo uma variação sazonal; e pela presença de plantas consideradas de folha caduca, incluindo os ginkgoaleanos Baiera e Sphenobaiera e as coníferas Podozamites e Liaoningocladus. Mas na interpretação dos dados paleobotânicos são necessárias várias precauções porque, até à data, nenhum dos fósseis de plantas foi documentado in situ mas parecem ter sido transportados a partir dos seus ambientes de crescimento. “Consequentemente, as interrelações espaciais e temporais entre elementos florais distintos estão, essencialmente, por testar e a assumpção de que a flora de Jehol é representativa de um único ambiente de crescimento pode estar errada. Por exemplo, algumas das coníferas representam comunidades que viviam em zonas montanhosas e que cresciam muito longe dos ambientes lacustres” (Barrett e Hilton 2006). |
http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?ViewItem&item=260040135071 |
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Para além de análises anatómicas minuciosas, que fornecerão informação para análises filogenéticas e paleobiológicas, a grande abundância de exemplares de alguns taxa pode ser utilizada para estudos de estrutura populacional, variação intraespecífica e até ontogenia de vários organismos (e todos estes estudos podem ser incorporados em cenários relacionados com a evolução do desenvolvimento). Várias questões paleobiogeográficas também necessitam de respostas mais claras: “Qual foi exactamente a natureza do mecanismo que isolou a Ásia oriental durante o Cretácico inferior? Porque é que alguns taxa (como os dinossáurios ceratopsianos) permaneceram confinados à Ásia oriental, quando é nítido que o intercâmbio faunístico com outras regiões se tornou possível?”. Barrett e Hilton (2006) acrescentaram algumas outras questões: “porque é que alguns horizontes preservam exemplares a 3 dimensões, mas sem tecidos moles, enquanto que outros mostram uma preservação de tecidos moles excepcional, mas com os restos esqueléticos a 2 dimensões?. Estudos detalhados de sedimentologia e geoquímica de cada um dos mais importantes horizontes fossíliferos são necessários para complementar a evidência paleontológica”. |
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http://cgi.ebay.com/ws/eBayISAPI.dll?ViewItem&item=260040135071 |