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PARA SABER MAIS ... |
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Pegadas e pistas "fornecem evidência de como é que os
dinossáurios viviam e interagiam, tanto uns com os outros,
como com os seus ambientes".
Lockley 1991
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Os
dados referem-se a uma amostra de
56 pegadas preservadas como superfícies naturais e escavadas como
epirrelevos côncavos,
encontrada numa área com cerca de 103 m² e a 6 pegadas preservadas como contra-moldes, hiporrelevos
convexos, todas encontradas no nível intermédio.
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| Pegada encontrada no nível mais inferior. | Pegada encontrada no nível mais superior. |
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No
nível mais inferior observa-se um número reduzido de pegadas, dada a pequena
extensão (especialmente comprimento) da lage aflorante, com pior estado de
preservação. |
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A orientação das pegadas encontradas neste nível é bastante diversificada, como se os teropodes tivessem passado erraticamente na zona e/ou esta fosse uma zona de alimentação habitual.
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O
comprimento varia entre 47
e 63 cm, com 59% das pegadas com comprimento
compreendido entre 50 e 63 cm. Apenas 10% tem comprimento igual ou superior a 60
cm. Para uma amostra de 30 pegadas (N = 30), o comprimento médio é de 52,5 cm
e a largura média de 37,3 cm. Assim, a razão entre comprimento e largura é
bastante elevada, 1,41. Só uma das pegadas observadas poderá mostrar evidência
de um alongamento posterior resultante da impressão dos metatarsos.
Morfologicamente,
esta amostra também é consistentemente semelhante.
Apesar desta amostra estar preservada num nível carbonatado bastante espezinhado, o seu grau de preservação pode ser considerado bom, sendo discerníveis em várias pegadas as almofadas digitais, incluindo mesmo as almofadas falangeais, que revelam a típica fórmula falangeal dos teropodes : 2 - 3 - 4 (excluindo as falanges unguais).
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| Quando
visível, o rebordo posterior da segunda almofada falangeal do dígito III está
anterior em relação à parte posterior da segunda almofada falangeal do dígito
IV. |
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O ângulo de divergência total II - IV tem um valor médio bastante baixo - 46,3º (N = 24). O ângulo II - III é consistentemente superior ao ângulo III - IV em cerca de 10%. Assim, as impressões dos dígitos externos, de largura consistente ao longo de todo o seu comprimento, estão quase que dirigidos para a frente, quase paralelos ao dígito central, o mais longo, que apresenta os lados quase paralelos e com largura superior à dos dígitos II e IV. |
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| A
razão entre o comprimento da pegada e o comprimento do dígito III é de 1,65
(N = 9), com variação entre 1,49 e 2,04, mas com a maior parte dos valores em
torno da média. Por outras palavras, o comprimento do dígito III ronda os 60%
do comprimento das pegadas. |
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Rebordos
erguidos e levantados, característicos de “impacto” e de “deslocamento”
associados a algumas destas pegadas, bem como zonas “levantadas” no
interior das pegadas, indicam que estes icnitos são primariamente pegadas
superficiais e não sub-impressões (ou “pegadas-fantasma”). Características
erguidas de partes do interior das pegadas são formadas quando o substrato é
succionado pela sola do pé, agarrando-se à carne, sendo arrastado em seguida
para formar convexidades quando o pé é removido. Rebordos de impacto ou de
deslocamento são originados pela deslocação do sedimento da zona pisada pelo
pé do animal à medida que o seu peso comprimia os sedimentos. A presença
destas características em várias pegadas encontradas
neste nível sugere também que o
substrato pisado estava húmido, encharcado, provavelmente viscoso, quando os
icnitos foram produzidos. |
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A
perda de informação das pegadas com a profundidade, segundo Allen (1997). |
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Aliás,
análises recentes baseados em dados experimentais (Allen 1997) mostram que o
processo de produção de pegadas em sedimentos coesivos transmitem «stress»
através dos sedimentos de uma forma radial. Como consequência, ocorre uma rápida
diminuição não linear, na deformação e na informação, com o aumento da
profundidade. O que significa que poucos centímetros abaixo do substrato
originalmente pisado, a eventual transmissão do seu peso ocorreria sem detalhes
da morfologia do autopode. Esta grande perca de informação com uma pequena
profundidade implica, como Nadon (2001) sugere, que “o fenómeno da preservação
das sub-impressões será um fenómeno muito raro”. |
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| Todas
as características referidas permitem incluir a amostra de pegadas tridáctilas
de Algar dos Potes no icnogénero
Megalosauripus, tal como foi diagnosticado por Lockley e colegas (1996,
2000). Note-se que estes investigadores não diagnosticaram, nem referiram, qual o valor médio, nem do ângulo interdigital II - IV, nem dos ângulos II - III e III - IV, para a ampla amostra do Jurássico final que incluíram em Megalosauripus. A partir dos proporcionalmente escassos esquemas publicados, podemos estimar que o ângulo II - III é, em média, ligeiramente inferior ao ângulo III - IV, ao contrário do que ocorre nesta amostra de Algar dos Potes. Mas os valores do ângulo II - IV desta jazida do Jurássico médio encaixam-se perfeitamente nos valores inferidos para a amostra Megalosauripus d Jurássco superior. |
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PARA SABER MAIS ... |
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Estes investigadores salientaram que as pistas Megalosauripus são muitas vezes wide, de passo proporcionalmente
curto e irregulares; mas acrescentaram que por vezes a sua configuração não
é larga e irregular e que o ângulo de passo pode variar entre 125 e 175º.
Infelizmente, não conseguimos identificar com segurança mais do que um
segmento de pista. E este segmento inclui apenas três pegadas consecutivas (1,
2 e 3). Tem uma configuração relativamente narrow, com um ângulo de passo de
cerca de 155º. O teropode que a produziu progredia a uma velocidade estimada em
4,9 km/h (passos de 1,45 e 1,42 m, para uma passada de 2,75 m). A relação
entre o comprimento da passada e o comprimento médio das três pegadas (55 cm)
é de 5,00.
A relação entre o comprimento do passo
médio e comprimento médio das pegadas é de 2,61.
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| Eventualmente, as pegadas 28, 29, 31 e 54 poderão ter sido produzidas
por um mesmo teropode durante a sua progressão. De forma idêntica, as pegadas 41, 42, 38 e 39
podem também integrar uma mesma pista. |
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| A
ocorrência de pegadas tridáctilas com dimensões e morfologia muito
semelhantes em, pelo menos, três níveis distintos, evidenciando a passagem de
grandes teropodes, sugere que a sua presença nestas paragens durante os inícios
do
Batoniano não seria ocasional e que
durante um intervalo de tempo relativamente alargado os grandes carnívoros
frequentavam e/ou habitavam a região. Sugere também que este icnomorfotipo
deve representar uma mesma espécie de teropode de grandes dimensões do Jurássico
médio. |
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A
homogeneidade de dimensões encontrada nesta jazida é significativa. Estimando
a altura da anca dos seus autores como o produto do comprimento das pegadas por
4,8, podemos afirmar que o valor desta medida física dos teropodes variava entre os 2,25 m e os 3 m. Para termos
uma ideia do peso corporal destes predadores podemos seguir Thulborn (1990), que
sugeriu que um teropode com altura de anca rondando os 2,5 m teria um peso total
ultrapassando as 2 toneladas. Como as dimensões conhecidas do fémur e de
outros ossos longos apendiculares, dos ossos da coluna vertebral ou do crânio,
permitem estimativas do comprimento total dos teropodes, Seebacher (2001)
relacionou o comprimento total e o peso dos teropodes através da seguinte equação: Y
= 0,73 X 3,63
Y = comprimento total
X - peso total Assim,
e aplicando esta equação, um teropode com um peso rondando as 2 toneladas
teria um comprimento total aproximando-se dos 9 m. Por outras palavras, uma
aproximação (por defeito) ao comprimento total dos teropodes poderá ser
conseguida multiplicando a altura da anca por 3,6. |
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PARA SABER MAIS ... |
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| A não ocorrência de pequenas pegadas, representando indivíduos de menores dimensões, pode ser devida a um artefacto / distorção preservacional ou poderá evidenciar que estes animais eram realmente raros. O facto das pegadas estarem relativamente profundas e bem preservadas, indicando condições de substrato brando, sugere que as distorções preservacionais seriam mínimas. Assim, inferimos que esta icnofauna é dominada por grandes teropodes. | |
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